A cura está nos outros?
Pouco tempo depois que escrevi o texto abaixo, o Pedro Sete Câmara escreveu este texto, afirmando que a auto-estima seria um mito. Segundo ele:
Para falar de auto-estima, as mulheres* vão usar frases como “gostar de si mesmo”.
Para o Pedro, esse tipo de definição da auto-estima não é realista. Ele entende que:
A auto-estima nada mais é do que uma hetero-estima, uma estima que vem dos outros. Quer aumentar a auto-estima de uma mulher? Faça com que ela receba elogios de pessoas a quem ela atribui prestígio
Como tinha tudo a ver com o tema desse blog e meu projeto pessoal, fiquei um bom tempo pensando sobre a idéia do Pedro. E discordo. Pelo menos no meu caso, a auto-estima — e a auto-imagem, sobre a qual ainda vou falar muito por aqui — é uma construção absolutamente particular.
Concordo com a parte em que ele diz que “palavras de reprovação de quase qualquer pessoa podem ter um efeito negativo”. Mas, pelo menos no meu caso, o elogio, venha de quem vier, é incapaz de modificar a forma como me vejo ou como me sinto. Prova disso é que, se fosse assim, eu não precisaria escrever esse blog, trabalhar nesse projeto e quebrar a cabeça para restaurar a minha auto-imagem e auto-estima. Já recebi elogio de muita gente que — para mim — era suficientemente importante. Não resolveu.
Acho que o elogio que vem de fora agrada, claro, e faz a gente feliz por algum tempo. Mas é como o efeito de uma droga qualquer, tem prazo de validade, justamente porque vem de fora. É um remédio paliativo que aplaca temporariamente a dor de uma auto-estima doentinha, mas não cura a doença.
E vocês, o que acham?
Eu concordo com o Pedro, mas só consigo analisar o meu caso. Quando eu penso na minha imagem, com alguma racionalidade consigo perceber que na verdade estou preocupado com aquilo que projeto (ou gostaria de projetar) para os outros.
Se essa minha imagem projetada agrada a alguém, mas continuo insatisfeito, não penso como problema de autoestima, imagino que na verdade eu tinha um problema diferente daquele que eu tentei resolver construindo uma figura para a sociedade. Se me equivoquei na causa, não adianta o remédio ser eficiente, porque não cura nada.
Dito assim fica confuso e no fundo parece a mesma coisa, mas é que eu tento a impressão/ilusão de que consigo separar o que eu quero pra mim e o que eu quero na cabeça das pessoas que me conhecem.
Porra, não tô falando coisa com coisa, maldito jogo-do-fluminense-com-narração-do-luciano-do-valle.
Miscow, to começando a achar que esse é um pensamento de XY mesmo. (alouco, comentário na nova regra ortográfica é puro loosho, hein?!) No caso do seu exemplo, em vez de problema de auto-estima, me parece mais um problema de auto-imagem (que é diferente da imagem que você projeta para os outros, seja ela intencional ou não, né). Ai, acho que to com sono ainda.
Não sei se vc percebeu, mas esta sua resposta ao Miscow acaba revelando o grande senão da sua discordância em relação ao texto do Pedro: auto-estima é diferente de auto-imagem. Daí acho que vale a pena pensar e definir sobre o que é seu livro/problema. Eu diria, se vc me permite, que é de auto-imagem com pitadas generosa de auto-, ou melhor, hétero-estima.
Uai, mas eu sei que são coisas diferentes (mas que criam problemas muito semelhantes). E não entendi o comentário final, preciso de aulinha hoje de noite. Ririri.
Concordo em gênero, número e grau com vc! Sinto-me da mesma forma e, aliás, preciso criar um projeto desse pra mim, muito me identifiquei!
Beijos
Ai Paula, nem precisa criar outro, fica aqui comigo! Toooodos juntos vamos, pra frente Braseew! \o/
Oi Paula, eu acho que vem dos dois, acho que se você só recebe na cabeça fica beeeem difícil, é importante reconhecimento e carinho de quem a gente atribui valor, MAS acho também que o nosso olhar é o filtro, às vezes a gente só consegue ver coisa ruim, ninguém é mais destrutivo do que alguém triste e deprimido. Se você está feliz, fica mais fácil ver beleza nas coisas e até em si mesmo. Ah, love u!
Beijos
Oi Lan! Concordo que se você só apanha, não tem jeito. Mas o que eu quis dizer foi mais do tipo: você é encucada com, sei lá, seu nariz. Acha feio. Ou grande. Ou pequeno. Ou achatado, sei lá. Daí mesmo que outras pessoas achem lindo, elogiem (e mesmo que essas pessoas sejam super mega master blaster fodas pra você), EU ACHO que você continua vendo problema no nariz. Pescou? Com você é assim?
Ou. Exemplo n. 2: se você olha no espelho e só vê os defeitos e problemas (mesmo que imaginários, sei lá). Mesmo que outras pessoas vejam as coisas boas e elogiem, você continua focando nos problemas e defeitos. Procede?
Dentro do meu raciocínio, se eu não gosto do meu nariz mas todo mundo elogia eu passo imediatamente a gostar! hahahaha
Críticas são mais poderosas do que elogios simplesmente porque realmente os dois têm pesos diferentes: o elogio tem um valor muito mais baixo, simplesmente porque é commodity. É muito fácil elogiar. Como elogios quase sempre são bem-vindos, as pessoas os usam sem muita discriminação, o que acaba por diluir bastante seu impacto. Dizer “nossa! como você está linda!” é muito, mas muuuuito mais fácil do que dizer “meu deus! você está horrível!”. O esforço necessário para se fazer uma crítica é muito maior e é por isso que elas são tão devastadoras: se alguém te criticou é porque realmente não gostou. Se alguém te elogiou, pode ter sido por pura educação.
Então… ou por falsidade. Vejo um monte de gente elogiando minha chefe, para ela. E preciso dizer como é longe? Rss
A crítica é mais “fuerrrrte”, mesmo que “construtiva”, porque consequentemente, para você subir sua nota na visão do outro, vai precisar empenhar alguma mudança, ou esforço, ou trabalho.
E daí eu fico com preguiça.. e não esforço. Ou então taco o foda-se pq pra mim do jeito que tá, tá bom. Mas na TPM eu lembro e considero se volto a terapia ou não. Mas daí eu canso. E fico com preguiça. E num vou. E etc… e etc e talz.
Dani, quando o elogio é fake tudo bem. Mas a pergunta difícil é: e quando a gente SABE que o elogio é sincero e mesmo assim não acredita? Por quê isso acontece, né?
Iberê, a sua visão sobre crítica v. elogio explica muito bem por quê a gente não valoriza, ou não acredita (pelo menos não sempre) nos elogios. Eu muitas vezes arrumo uma desculpa na minha cabeça (foi por educação, foi pra puxar saco, tá dizuera comigo, etc.).
Era, Iberê. Era. Hoje em dia falar mal é tão fácil quanto (se não mais fácil) elogiar. Este seu raciocínio se aplica nos salões vitorianos. Já na era do Twitter, meu caro, a crítica é que virou commodity.
Calma, Polzonoff, que ainda é uma minoria que tuíta. Você mesmo acabou de chegar por lá, e olha que é antenadinho nas internetes. Imagina o povão.
Pedro falou uma besteira gigante, na minha opiniao.
Auto estima eh quando voce gosta de vc. Se vc gosta, por exemplo, do seu namorado, nao importa que ele tenha um nariz horrendo, ou que seja um cara feio. Vc gosta dele assim mesmo (mesmo preferindo que ele fosse um pouco mais bonitinho, mas fazer o que?). Se alguem disser que ele eh meio baranguinho, e vc tem certeza que gosta dele, vai responder “pois eh, ne?” e isso nao vai afetar o que vc sente.
Ja se vc tem 12 anos e nao muita certeza do que sente por ele, o comentario pode te afetar, e fazer vc questionar o quanto gosta do rapaz.
Para mim, o processo eh exatamente o mesmo quando estamos falando, em vez do namorado, de nos mesmas. Se vc nao gosta de vc mesma, nao tem elogio que resolva, porque vc nao vai acreditar nele. Mas se vc se gosta, nao eh um nariz feio (ou um comentario sobre o nariz feio) que vai mudar isso, porque seus sentimentos sao mais profundos que isso.
Fez sentido? Eu to desenvolvendo a teoria meio que “on the fly”, mas a questao eh que se a gente eh capaz de gostar de outros mesmo que eles tenham defeitos, por que eh tao dificil fazer isso com nos mesmas? (nao me pergunte, eu tambem nao sei!)
Baxt, adorei o seu exemplo do namorado, acho que é bem por aí mesmo. E o fim do seu comentário é *O* grande ponto (eu acho) desse meu projeto: por que a gente não consegue se ver com a mesma benevolência que vemos os outros? É assunto pra outro post, né?
Beijo!
Pois eh, eu nao sei tambem. Mas tenho algumas observacoes a respeito. No dia que vc escrever o outro post eu explico, para nao crowdear o espaco aqui
beijo!
Vai ser pra logo, que to super animada com isso aqui.
Paula,
concordo com você. E prova disso é que, há uns anos atrás, numa fase “negra”, não adiantava as conquistas que eu tinha, se emagrecia…não houve terapia que me tirasse do fundo do buraco. Uma amiga na época dissë: “Eu não aguento ver o que você faz com você”. E consequentemente o que eu fazia com quem me amava…porque se alguém me elogiava por algum motivo, virava um drama…eu achava que apessoa queria algo, tinha algum interesse, que era falsa e tava tirando onda com a minha cara.
Tive outros exemplos, dentro da minha família. Acredito sim, que queiramos aprovação e sermos reconhecidas (falo no feminino, porque assim como no caso do Pedro, quando vejo exemplos de “gostar de si mesmo”, a maiora se refere a mulheres). Mas acredito que no fundo… nascemos sozinhos. Não concordo com o Pedro (embora não tenha lido o texto todo), com o termo “hetero estima”. Um dos meus grandes problemas de estima vieram de questões mal resolvidas entre eu e minha mãe, por exemplo (graças a Deus a gente sempre tem chance de mudar). A questão do “hetero”, citada aí, acho que tem MUITO mais a ver com a cultura brasileira de bundas e peitos. Como ficaria a “hetero estima” aplicada aos homens? Como ficaria a hetero estima em outras culturas que não valorizam tanto a “abundância”ou a magreza?
Tou no meio do trabalho rsss e por isso não pude ler tudo direitinho. Mas depois eu volto. Porque tou sentindo que eu posso ter falado muita caca. Mas de prima, é o que eu penso.
Dani, ótima a sua história, obrigada por compartilhar. Complementa bem o comentário da Baxt ali em cima. Acho que se a gente tá feliz com alguma coisa da gente, se temos confiança na nossa opinião (nossa auto-imagem?), não nos deixamos levar pelo que os outros falam. Por exemplo, se eu me acho inteligente, podem me chamar de burra ou ignorante o quanto quiserem, que nada vai abalar a minha opinião sobre mim mesma. Mas se já tenho dúvidas sobre minha inteligência (ou beleza, ou ou ou), qualquer comentariozinho inocente pode virar uma tragédia. Não é?
Beijo!
ExaCtamente!
*Update*
Não consegui ir trabalhar sem ver o texto do tal Pedro.
E daí que ele responde no último parágrafo o porque de falar no feminino. O que me confirma que o texto dele tá muito mais ligado a questão cultural e como somos “vendáveis”, do que a auto-estima especificamente.
Essa citação do próprio:
“Falo em “mulheres” porque não me parece que seja muito macho ter preocupações com “auto-estima”.
Eu acho pobre. É como dizer “macho não chora”, “macho não usa rosa”.
E justamente por ele dizer que homem não tem problema de auto-estima é que discordo dele. Se fosse assim, homem não teria crise nenhuma na vida, né? E no caso DESSES HOMENS MACHOS PARA CARÁLEOWSS sim, eu acredito em hetero-estima…rsss imaginando aqueles tios carecas e barrigudos em carro esporte…cheio de chicks!
Resumindo… não vou dizer que achei o texto non-sense. Vou dizer, que talvez, faltou argumentos e tempo de discussão.
Dani, eu conheço o Pedro e acho que se ele escreveu assim, é porque realmente acredita e sente assim. Mas quis perguntar pro povo porque eu me sinto e penso diferente, e fiquei com a impressão de que as mulheres - pelo menos - se sentiriam mais como eu do que como o Pedro. O Luís concordou com o Pedro, então ainda to na dúvida se isso é uma questão mulheres v. homens. Sei lá.
Eu não gosto dessa filosofia de macho não chora, concordo contigo. Mas, devo dizer que concordo com o Pedro no sentido de que os homens são (ou me parecem ser) bem mais desencanados com a auto-imagem do que as mulheres. Tipo, eu vejo muito mais homem fuleirão super feliz consigo mesmo do que mulher, hihihi. Sabe assim?
Beijo
Concordo com você. Mas sem querer ser feminista… ou sexista ou qualquer outro ista… o fato deles serem mais desencanados, não está totalmente ligado a cultura em que vivemos? Ao que somos cobradas?
Eu continuo não concordando apenas com a história do estimulo hetero . Talvez “outra-estímula” ( em que outra pessoa te estimula)… sei que ficou uma piada idiota, mas pensando em que recebemos estimulos desde a mais tennnnnra idade. Sei lá. No geral os homens passam por qualquer encucação mais facilmente. Assim como são capazes de dormir com seu filho esguelando enquanto maioria das mães acorda com um suspiro mais profundo. Há diferenças, realmente, e gosto delas.
Mas conheço caras com problema de auto-estima também. Por isso a coisa meio que car por terra…para mim.
Dani, certamente não vai ser uma regra fechada de homens v. mulheres, e sempre existirão as exceções. Mas, no geral, estou mesmo ficando com a impressão de que os homens são bem mais desencanados (e ficam bem mais felizes que a gente com os elogios, hehehe). Beijo!
Paula, concordo 100% com suas colocações. Sofro do mesmo mal de não processar nada de bom do que as pessoas me dizem. Nunca encaro um elogio como uma verdade. A meu ver, isso é auto-sabotagem. Claro que a raíz disso tem a ver com auto-estima e auto-imagem ruins, mas a raíz dessas outras duas é que vem a ser a grande questão da história. Tô ansiosa pelo desenrolar dessa história, vou acompanhar atentamente porque também PRECISO disso. Beijo grande procê.
Van, a raiz do problema de auto-estima e auto-imagem de cada um vai ser diferente, claro, mas espero encontrar algumas soluções ao longo do caminho que sejam úteis pra todo mundo (ou pelo menos pra um montão de gentes!). To esperançosa.
E precisamos almoçar de novo! Beijo.
Ai gente, eu AMO os quadradinhos de comentários!
Oi Paula,
Concordo com você. Acho que para a maioria das mulheres, o elogio é bem-vindo, mas não totalmente válido. Conheço muitas meninas que se acham realmente feias por mais lindas que sejam. Recebem elogios o tempo todo, mas não acreditam neles. O estranho é que não me lembro de nenhum homem com essa característica. Será que é algo estritamente feminino?
Beijos,
Marcele
Marcele, é isso que to tentando descobrir, quem sabe daqui a algum tempo a gente contabiliza os comentários aqui (mas precisamos de mais opiniões masculinas! COMOFAS?). Eu tenho uma amiga que é LINDA, de verdade (tipo modelo mesmo, morena clara de olhos azuis, corpão, etc.) e ela é cismada que o nariz é feio. Pode?
Beijo.
Eu acho que a grande questão vem do fato de a auto-estima ser um pouco difícil de se definir. Eu tenho um pouco de agonia de pessoas que alardeiam por aí o tanto que gostam de si mesmas, pois acho que ter auto-estima não significa nunca se decepcionar consigo mesmo, nunca ser afetado tanto por elogios quanto por críticas, ou nunca se achar feia.
Já tive taxa zero de auto-estima e levei anos para entender que o reconhecimento que esperamos do mundo por valorizá-lo mais do que a nós mesmos, nunca compensa a dor de atropelarmos nosso valor, nossos desejos e nossas opiniões.
O que ocorre quando se tem uma base forte de amor próprio é que, no fim das contas, você saberá que a pessoa mais indicada e perfeita para te amar, te elogiar e te criticar será você mesma, e não uma outra - ainda que vc saiba que há pessoas que têm as melhores das intenções ao tentar te “mostrar o melhor caminho” ou “a verdade” sobre vc.
O que me magoa do posicionamento do Pedro é esse foco da sina da fragilidade de auto-imagem e auto-estima nas mulheres. A auto-estima, para ambos os gêneros, é conquistada através de um exercício diário de valorização das próprias idéias, de assertividade na recepção de críticas e elogios, e de maturidade. Enfim, é o que eu acho.
Lulu querida, nossa que trechão maxi importante esse seu:
“o reconhecimento que esperamos do mundo por valorizá-lo mais do que a nós mesmos, nunca compensa a dor de atropelarmos nosso valor, nossos desejos e nossas opiniões.”
Sobre o texto do Pedro, repito o que já disse: acho que é a opinião sincera dele (que é um fofo), mas talvez seja um pensamento comum aos homens (será? precisamos de mais respostas masculinas por aqui!) OU talvez seja um pensamento exclusivo do Pedro (e daí vamos pesquisar ele a fundo, né, hahahah!)
Beijo!
Ai, Paula, eu AMO tb os quadrinhos e os seus blogs!
na questão mulheres v. homens,( não que seja só esse o ponto)o diferencial é a cobrança, tipo, se um garoto está gordinho não se critica e se uma garota está gordinha, TEM que emagrecer antes de menstruar, tem que para de roer unha pra ficar bonita, parar de comer chocolate pra não ter espinhas,não se sujar brincando, etc. Percebe que são coisa quase que impossíveis para uma criança, então já começa a minar a confiança aí… Por que TEM que ser magra, limpinha, ou com unhas pra ser bonita ou aceita?Então acho que a raiz do problema vem realmente das cobranças dos pais e/ou educadores. Resolvi o meu problema de estima aos 40 anos com uma terapia cognitiva que me fez muiiito bem e de quebra ajudou-me a fortalecer o quociente emocional de meus filhos, elevando em muito sua estima. Um grande bj e que vc continue com esses projetos tão interessantes!
Oi Selma querida! Ai que ótimo o seu comentário, hein? Várias coisas pra se pensar… A sua explicação sobre coisas da infância super procede, mas é matéria pra outro post (acredita?), porque acho que comigo foi exatamente o CONTRÁRIO! É uma loooonga história, então nem vou tentar explicar por aqui, logo logo faço o outro post contando.
Beijo e super obrigada pela contribuição!
Paula,
O Pedro (que, como vc sabe, fala grego!) deve ter escrito este texto no contexto girardiano. Mas também acredito que ele possa ser lido no contexto freudiano. Acho que o segredo para diferenciar a auto-estima, como quer o termo consagrado, da hétero-estima, como propõe o Pedro, está na idéia de que é importante receber elogios “de pessoas a quem ela atribui prestígio”. Eis o grande achado do Pedro.
O fato é que existe muita diferença entre ouvir uma crítica/elogio da Mulher Melancia e outra da C. Pascolato. É neste ponto que a idéia de auto-estima torce o rabo.
Vale mesmo muito a pena se perguntar se a auto-estima é um conceito em si, isto é, algo independente do espelho que olha para vc, seja ele a Mulher Melancia ou a C. Pascolato. Eu, sinceramente, acho que não.
Para fugir um pouco da idéia de imagem, talvez valha a pena recorrer a algo que muitos consideram o oposto da beleza (não eu!): a inteligência. O que pesa mais na balança da sua auto-estima como escritora: um elogio do Millôr ou uma crítica da Fernanda Young? Se as duas opiniões pesassem a mesma coisa, sua auto-estima seria mesmo auto, isto é, sua opinião própria, incontaminável. Como não pesam, o que o Pedro diz faz todo o sentido: a imagem que temos de nós mesmo é mesmo volúvel e não passa de uma necessidade de termos a aprovação daqueles que também aprovamos. (Em tempo: em doses normais, não há nada de mau nisso).
P, entendi, mas continuo discordando (e veja, discordo com relação a MIM, ok?). Usando o seu exemplo, claro que fiquei feliz de o Millôr achar meu livro bom, ou meus desenhos, mas eu já achava isso antes de ele falar qualquer coisa. Fiquei FELIZ com os elogios, mas eles não compõem o que eu penso de mim como escritora ou ilustradora.
Se a Constança me encontrar na rua (MORRI!) e disser que acha meu sorriso lindo, vou adorar o elogio, mas vou continuar achando que sou dentuça.
É CLARO que a auto-estima de qualquer um pode melhorar com o elogio certo vindo da pessoa certa. Mas discordo do Pedro quando ele radicaliza e diz que não existe auto-estima, como se o que vem de fora pudesse preencher completamente a gente. Comigo, pelo menos, não funciona.
Ci.
Ai, ai. O texto não diz que o que vem de fora completa a gente. O texto diz que estamos em busca não de algo em nós mesmos, e sim de algo que vem de fora. Capisce?
Capisco, mas eu, pelo menos, estou em busca de algo que seja independente do externo. Do contrário, to ferrada. Hihihi.
[...] This post was mentioned on Twitter by paulaabreu and Elaine Borges. Elaine Borges said: Se eu fosse você ia lá conversar com a Paula: http://bit.ly/sPzIb [...]
Oi, Paula. Nossa, eu tenho tanto pra contar a respeito disso tudo. E ao mesmo tempo, nunca tinha parado pra pensar seriamente. Engraçado. Bem, da minha parte, uma coisa que os mais próximos sempre me acusaram foi de excesso de rigor comigo mesma. Acho que vou me reconhecer no seu relato de infância, porque fui uma menina lindinha e tals até que… nasceu uma linda irmãzinha de cachos loiros, olhos azuis, pele morena etc. etc. E virei a inteligente da família. Bem, coitada da minha irmã, né. Não entendo por que é que a gente sempre almeja a perfeição - de nariz, roupa, quadril, pernas, e no meu caso, o inalcançável joelho ossudo - sabendo que ela não existe, teorizando sobre a escravidão da imagem criada e vendida pela moda + TV, racionalizando, fazendo terapia, e essa doença da busca da perfeição não passa. Será arrogância nossa?
Tina! Antes de mais nada, deixa eu dizer uma coisa: você é LINDONA. Tsá? Ririri. O meu relato de infância é meio diferente do seu (já já publico ele, se o teu amigo Paulo me deixar ficar acordada até mais tarde escrevendo), mas acho que muita gente vai se identificar com a sua história. Ai, e essa coisa de almejar a perfeição é assunto pra outro post também. Nossa, acho que preciso tirar férias pra ficar só escrevendo esse blog, haha. Beijo!
Oi Tina,
licença de me meter. A gente sempre almeja…porque lá atrás, quando a gente nem sabia o que significava o verbo almejar, já nos comparávamos aos outros (irmãzinhas ou não) e ao efeito que causavam aos demais. Tem uam amiga minha que diz que se a gente desmamasse e fosse largado no mundo, tipo gatinho, cacorrinho, etcz, muito terapeuta tava morrendo de fome….e que o problema é pai e mãe mesmo… well… concordo…em partes =)
Beijo!
O elogio de outros, além de não curar a “auto-estima” doentinha, vicia tal como uma droga.Parece que a gente fica embalada na “onda” que um elogio dá e, quando o efeito acaba, a gente quer outro e mais outro e mais outro…
Claudia, eu que sou tímida (JURO!), fico é super sem graça, morro de vergonha mesmo.
Beijo!
E daí você já olhou no espelho e disse “Eu te amo”?
Eu fico vermelha…e morro de rir.
Paula, eu tinha milhares de coisas para falar aqui (talvez eu escreva um post e te mande o link - talvez eu fique com preguica).
Mas para mim a questao eh: por que raios a gente ta falando soh de beleza aqui, como se isso fosse mais importante (ou mais dificil) do que todo o resto? Por exemplo, eu sou muito bem resolvida com a minha aparencia, meu peso, minha altura, bla bla bla (nao satisfeita, eh logico, mas resolvida). O fato de a gente estar focando tanto nisso ja prova o quanto somos problematicas com o assunto.
Homens sao desencanados com beleza (ate demais, na minha opiniao), mas vai questionar o sucesso profissional, o tamanho do pinto, o salario, o tamanho do carro… Eles tem problemas de auto estima sim, mas olhar so para a questao da beleza deixa eles de fora da questao! (e me deixa de fora da questao tambem, ja que minhas encucacoes estao em outros lugares!)
Baxt, não sei o resto da galera, mas eu to falando mais em imagem porque é meio que o foco da minha pesquisa/jornada. De resto, to super feliz com o tamanho do meu pinto, HAHAHA.
Entendi
Eh que para mim, digamos assim, a jornada eh outra. Paralela a sua.
Paula, discordo do Pedro. A visão dele é a visão de quem não tem problemas de auto-estima. Tem lá seus momentos de descontentamento consigo mesmo e, bem, um elogio bem dado resolve. Mas quem tem MESMO uma auto estima que repousa no fundo do Mar Morto sabe que elogios, seja la de quem forem, nao resolvem nada. Elogios são falsos e inaceitaveis quando vc não é capaz de concordar com eles. Acho que auto estima existe sim, é algo que cultivamos de dentro pra fora e tem muito menos a ver com beleza do que se imagina.
Kelly, acho que você me deu uma pista boa. Se auto-estima tem menos a ver com beleza, talvez quem tenha uma boa auto-estima não foque tanto em beleza e, por outro lado, quem não tem, foque em beleza (ou qualquer outro “ponto fraco”) justamente pra se frustrar. Ai, tá ficando muito profundo isso, vou pedir a ajuda dos universitários.
Beijo!
Olha, me desculpa criar polemica, mas quem nao tem problema de auto estima nao faz tanta forca para mostrar que eh inteligente! (Pedro, se vc ler isso, eu elogio vc: vc eh inteligente sim, ta? Ninguem duvida disso
Baxt, mas você acha que ele faz força? Sério, já vi pessoalmente em ação e parece super efortless, de verdade. Além de que, o Pedro é uma fofura.
Bom, eu conheco o moco (nao muito) e ja conversei com ele algumas vezes e acho que existe um certo esforco sim. O que nao eh nada demais, eu tambem me esforco
então…. o que tem efeito sobre mim são observações que os outros fazem sobre mim, e que eu mesma não tinha reparado que eram assim….
Naty, bem lembrado, isso também me faz pensar!
[...] O texto abaixo foi escrito após eu ter visto que aquilo que escrevi como boutade (ainda que de conteúdo sério — é mesmo a minha opinião) foi discutido com grande atenção por pessoas que eu estimo. [...]
bacana o projeto!
na minha opinião, não é o elogio dos outros que aumenta/eleva a nossa auto-estima. no meu caso, quando minha auto-estima está melhor é que começo a receber elogios. dos mais variados, até vendedor na loja fica extremamente super simpático, essas coisas bobas. ou seja, como você se sente reflete no seu exterior e as pessoas interagem. e pro cara do outro post que ficou falando que “a mulher precisa disso/daquilo” “a mulher funciona assim e assado”, blé. até parece que homem já nasce maravilhoso, hohoho.
Elaine, concordo contigo que quando estamos bem parece que o mundo conspira a nosso favor.
Credo…tou viciada aqui. E esperando ver no que isso vai dar.
Dani, nossa, eu tenho tantas coisas pra escrever next que nem sei por onde começar. Se bem que, sei sim, o Pedro escreveu um novo texto sobre o assunto que está maravilhoso. Já já eu coloco o link.
Quero rever a refutação - se é que é possível.
Se é que é necessária, você devia dizer…rs
Concordo com a Dani que disse isso: “porque se alguém me elogiava por algum motivo, virava um drama… eu achava que a pessoa queria algo, tinha algum interesse, que era falsa e tava tirando onda com a minha cara.” No meu caso, é pior: sempre que alguém me elogia, eu acho que é por pena de mim. E olha que já passei dos 30, já resolvi muita coisa em relação à minha auto-estima (ainda tem hífen? Não sei!), mas elogio ainda é uma coisa muito complexa para mim…
Oi Mari, não tem mais hífen não, mas a gente tá na contravenção aqui, vivendo em Tara como Scarlet O’Hara (”amanhã eu penso nisso”). Amanhã, no caso, 2012, quando a regra ficar obrigatória. Olha, se você ainda acha que elogio é por pena, seja bem-vinda à nossa jornadinha!
“Vivendo em Tara como Scarlet O’hara”, adorei!
Voltando, complexo demais: quando é alguém que importa para mim que elogia, eu acho que faz só por obrigação. Quando é alguém de fora, eu tomo por pena…
Tô gostando da jornadinha, tô dentro “dicumforça”!
Isso aqui está muito bom, louca pra ler os outros posts.
A Dani falou do lance de se olhar no espelho e dizer : Eu te amo! eu faço isso tranquilamente, agora ouvir de alguém me deixa muito sem graça,é estranho…..
Ai Rô, eu acho tão legal quem brinca de espelho! Queria muito, mas sabe que eu nunca consigo porque eu simplesmente esqueço!? Doido isso, né? Isso me lembra que tenho que escrever um textinho sobre elogio. Curtinho. (vou anotar!) Beijo!
paulita: my 2 cents, com base em mim mesma, obviamente
não concordo com o pedro. pra mim simplesmente não importa quem faz o elogio ou a crítica, e eu demorei pra perceber isso. eu achava que quanto mais influente, inteligente ou mais íntima a pessoa comentando, mais o elogio/crítica era importante pra mim.
a verdade é que “pega” mesmo (ou faz diferença, pro bem ou pro mal) é o que combina com o que eu acho/sinto/penso. quanto mais a opinião alheia ecoa o que eu mesma acho, mais incomoda/alegra.
exemplos bobos: se deus himself falar que minha bunda é grande e gorda eu nem ligo, porque eu gosto da minha bunda. se o catador de papelão da esquina reclamar que eu falo demais eu vou ficar péssima (porque eu acho que falo demais)
ajudei?
beijo!
Oi querida! Olha, faz muito sentido o jeito que você funciona. Mas será que às vezes não tem coisas que nem a gente sabia que pensava sobre si mesmo e quando escuta de fora dá aquele baque? Tipo, estava no inconsciente? Não tinha pensado nisso ainda, mas seu comentário me deixou cheia de novas idéias aqui…
Beijo!
gata, tem coisas que a gente não sabe que pensa/acha, sim. tem coisas também que a gente ACHA que ACHA e no fundo não é nada daquilo.
eu aprendi o seguinte, na terapia: preciso estar atenta às minhas verdadeiras reações e ao sentimento de confusão. se um input me causa felicidade, raiva, medo, sei lá, eu penso e sinto sobre o que está acontecendo e aproveito pra me conhecer melhor. vivo me perguntando: por que o comentário X me provocou a reação Y?
e no meu caso (porque esse é meu caminho individual - nem acho que todos devem ser assim!) procuro interpretar o que sinto/penso a cada oportunidade e entender de onde vem essa minha auto-opinião.
há coisas que eu pensava sobre mim mesma (por exemplo, que sou preguiçosa) que percebi que não sou eu que me acho assim. eu “adotei” essa visão dos meus pais. e aí, amigam, é um trabalho danado de desadotar essa idéia, arrancar o rótulo e descobrir (com MINHAS lentes de ver o mundo) o que eu realmente sou.
pra mim, os outros são somente espelhos ou MEIO pra que eu me enxergue melhor. valorizo o input, mas só “aceito” o que faz eco em mim. mas é sempre uma opção acreditar mais no espelho que na realidade. ou até achar que o espelho É a realidade
Dá tempo de participar? Vou ter que ler isso tudo antes? Ferrou. Te ligo aí…
Não resisti: porque todo mundo fala em elogio falado como se isso importasse alguma coisa? Ou está sendo utilizado indiferentemente para qualquer tipo de elogio ou demonstração de apreço? Acho tão mais importante o gesto do que a palavra. Aquele feeling de que a coisa emplacou, aquela coisa raramente imediata de que vc conquistou determinado resultado nos outros.