O começo
Com a boca inchada e cheia de metais, uma franja inaceitável e um figurino digno de uma senhorinha de 90 anos de idade, fui introduzida ao maravilhoso mundo das pessoas feias.
Daí em diante, uma série de traumas — piadinhas de amigos, desventuras amorosas, e mesmo a realidade nua e crua do amigo espelho — foram aos poucos cristalizando a minha auto-imagem de uma menina feia, que cresceu para se tornar uma mulher igualmente feia. Às vezes muito feia, às vezes feinha, às vezes até ‘ajeitadinha’, mas nunca bonita. Nunca satisfeita com a imagem que via no espelho.
Aos 22 anos de idade, já casada com meu primeiro marido, eu fazia duas horas diárias de exercícios, acompanhada de personal trainner. Apesar dos meus parcos cinqüenta quilos, me arriscava em tratamentos de vanguarda como injeções de substâncias esquisitas para queimar gorduras invisíveis na minha barriga, que eu também tentava moldar à base de lipoescultura com as mãos, que custava uma pequena fortuna mensal. E apesar da pouca idade, gastava rios de dinheiro em cosméticos de última geração e inacreditáveis aplicações de Botox para congelar rugas que só eu via.
Ainda assim, não estava satisfeita com a minha imagem.
Até que, aos 25 anos de idade, conheci uma astróloga e, ao fazer meu Mapa Astral, descobri uma tal Vênus em Capricórnio na Casa Cinco, que era a grande culpada por todos os meus problemas. Descobri que, quando eu me olhava no espelho e procurava somente os defeitos — e encontrava, claro —, era a Vênus que estava sussurrando nos meus ouvidos e tapando os meus olhos para as minhas qualidades e meus pontos fortes.
Mas, como muitas coisas na juventude, descobri isso tudo de forma exclusivamente racional, não conseguindo extrair desse conhecimento praticamente nenhuma lição prática para minha vida. Embora, a partir daquele momento, eu soubesse que só eu me achava tão monstruosamente feia, e que muitas pessoas em volta me achavam qualquer coisa entre bonitinha e linda, meus esforços para transformar essa informação em mudança foram poucos. E foram inúteis.
Naquele tempo, eu tinha um blog lido por mais de 3 mil pessoas por dia, tinha virado uma ‘celebridade da internet’ — como brincam meus estagiários — e cheguei ao ponto de ser parada na rua para dar autógrafo mais de uma vez, tudo isso considerando que nunca escrevi nada com nada, apenas textos leves sobre minhas aventuras e desventuras nesse mundo.
As pessoas me faziam elogios dos mais variados. Ainda assim, eu continuava me achando feia. E passei a achar que aquele monte de gente que de certa forma me admirava online era um bando de doido que não conseguia enxergar o meu verdadeiro eu. O meu eu bem feinho que eu vinha cultivando há tanto tempo.
Até que cheguei aos 32 anos e, impulsionada pela maturidade ou pelo mero cansaço de sofrer por causa da distorção entre a minha auto-imagem e a imagem que o mundo tem de mim, resolvi iniciar uma jornada em busca da cura. Uma jornada para restaurar minha auto-imagem, meu amor-próprio e minha auto-estima. Porque não adianta o mundo gostar de mim se eu não me gostar também.
Como a escrita está intimamente ligada ao meu modo de ver o mundo e viver minhas experiências pessoais, resolvi relatar essa jornada passo a passo, na dupla expectativa de me disciplinar e, ao mesmo tempo, motivar outras pessoas que vivam esse mesmo problema a buscarem o caminho da cura.
Cada um tem que achar o seu caminho, claro. No meu, resolvi contar com a ajuda de alguns profissionais das mais variadas naturezas, que considero importantes para minha educação sobre mim mesma, como consultoras de imagem, terapeuta, astróloga, maquiadora, neurologista e cabeleireiro, dentre outros. Conto, também, com as toneladas de informação disponível no maravilhoso mundo das internetes.
Meus amigos, é claro, serão arrastados nessa jornada comigo, quer queiram, quer não. E se você quiser também me acompanhar, será muito bem-vindo.
já tô acompanhando!
Primeirona!
Vou deixar aqui o que escrevi ao compartilhar a novidade no meu Google Reader:
Blog bem corajoso da Paula - uma querida -, casada com o Paulo, também muito querido.
Uma das boas lembranças que tenho dela é de vê-la pintando, num atelier improvisado no 2o piso do apartamento deles. E observá-la conversando com o Davi foi uma das coisas bonitas que vivi por lá.
Diego, que querido você. Super obrigada e tá na hora de você voltar em casa porque devo estar sem pintar desde aquele dia…hahaha Fora que você tem que ver o Davi versão canalha com dentinhos.
Oi Paula, vim aqui pelo feed do Diego Jock.. gostei muito.
vou assinar o feed e acompanhar.
até porque estou passando por algumas mudanças semelhantes.
=D
Oi Pedro, seja bem-vindo! E legal saber que você está passando por algo parecido, assim a gente vai trocando figurinhas. Beijo!
Que interessante compartilhar isso assim, tão publicamente.
Ato de coragem, que com certeza vai contribuir muito para a sua “restauração”.
Boa sorte!
Oi Diana, demorou um tempão pra eu tomar coragem, mas acho que sem compartilhar não ia dar certo, é meio que meu jeito de fazer as coisas.
Seja bem-vinda!
Paula…
1o, 2o e 3o parágrafos… Sou eu! Como pode? Você nunca conversou comigo (e só me viu uma vez numa foto que eu mandei pra você desenhar!) e já sabe tanto assim da minha vida? Como pode?
Tô ansiosa por esse livro!
Abração!
Hahaha, Mari! No fim, é capaz de ser a história de muita gente, né? Enquanto o livro não vem, a gente vai trocando figurinhas aqui no blog, e também no twitter (sim, eu criei um twitter pra esse blog, já já divulgo!). Beijo!
Olá Paula, prazer, Cristina, vesga e de óculos aos sete… rsrs E pior: com uma irmá mais nova loira, paquita, magérrima, morena, olhos azuis. Vou seguir essa nova experiência e tentar aprender um pouquinho, ok?
Oi Tina, aiaiai essa história de irmã paquita mata, né? Vamos seguindo juntas, tá?
Tinaaaa! O QUE É A SUA FILHA DE BAILARINA, MODEUDUCÉU!?!?! Fui lá no seu blog visitar e morri. MORRI. Comento aqui porque não consegui comentar lá (pobremas técnicos de bloqueio no sirviço, sorry). Beijo e parabéns!
Paula, estou nesse “arrastão”. bjs
Juquets! Gosto sempre de ter você por perto! Super querido, morro de saudades!
Faço coro com a outra Diana: é preciso muita coragem.
Muitas pessoas que conheço (muitas mesmo), inclusive eu, cresceram cheias de problemas com suas autoimagens e mesmo assim este é um dos assuntos mais delicados e investidos de tabu.
Já inscrevi o link no meu Reader.
Oi Diana-the-second!
Ai, agora você me remeteu a um problema que terei que enfrentar: a reforma ortográfica que tirou os hífens do meu livro/blog, hahaha. Por enquanto, to bancando a Scarlet O’Hara, “amanhã eu penso nisso”. Sobre o assunto, acho que é como eu disse, é simples, mas acaba sendo também complexo porque envolve tabu, exposição, compartilhar coisas profundas da gente, né? Mas tamos aí. Beijo!
Já estou acompanhando o feed. Eu nunca tive contato com vênus em capricórnio antes…
acho que a sua jornada vai ser a jornada de muita gente…
Oi Renata, seja bem-vinda! To adorando pessoas novas com blogs que eu não conhecia ainda! Tanta gente legal nas internetes que a gente ainda não conhece, né? Espero que você esteja certa e que eu encontre companhia nessa viagem, que mesmo não sendo simples pode ser bem divertida. Beijo!
É só ver as capas de revistas masculinas e femininas atualmente: estamos todos com vênus em capricórnios. Belo texto.
Ale: super! Uma sai sem umbigo, outra sai sem uma perna, a de 60 anos sai com corpitcho de 15 e todo mundo acha normal isso. O impacto do photoshop sobre a nossa auto-estima dá um capítulo à parte, né?, hahaha. ALE! TAMO CHEGANDO! FALTA UMA SEMANAAAAAA! Vamos ensinar yoga pro Davi! Beijo e saudades!
Eu já tenho lugar reservado nesta jornada!
é muito dícifil lidar com a auto-estima neste mundo onde só é bonito peles alvas, narizes afilados, cabelos lisos…você imagina a minha luta diária para não me achar feia?!
beijo querida.
Rô querida, muito bem lembrado o seu ponto. Tenho essa preocupação com o Davi, que acho a criança mais linda desse mundo e espero que o mundo todo ache também, hahaha. Embora esse tema racial não vá caber no livro, a graça do blog é essa: aqui dá pra gente fazer uns adendos, né? Me aguarde!
Vou botar logo o meu comentário aqui que estou amando essas respostas individuais e quero ver como tu vai fazer quando tiver 3000 por dia!!!
Mas a pergunta que todos querem saber : “vai ter fondue ?”
Que a gente quer ser linda, mas também quer comer bem.
Karinny, eu adoro responder tudo, você sabe que lá no Epinion os coméntários são até mais legais que o blog.
E eu sou carioca e cresci com a filosofia do Profeta Gentileza, então se alguém me visita, lê, e me faz a gentileza de deixar um comentário, eu respondo sempre que possível. Tomara que eu continue conseguindo!
Beijo!
Já tá cravado no Greader… Bjs
Faaaaaaaala Fábio! Não morre mais! Lembrei de você ontem porque vi aquele desenho que fiz de você dirigindo pra Yale!!!
Saudades de vc e de NYC! Beijo.
Paula, eu vivo num dilema constante: (1) tenho consciência de que é irracional gastar tempo, dinheiro e disposição me submetendo a padrões arbitrários de beleza e (2) me sinto mal por não pertencer a eles. : /
Mas isso é meio inevitável: é preciso MUITA* segurança pra não se sentir inferiorizado neste mundo de modelos sem poros que juram que acordam perfeitas.
* muito mais segurança do que quase todo mundo possui
Fabi, esse meu projeto de livro/blog nasceu exatamente por esse descompasso entre coisas que eu SEI racionalmente, mas que eu não consigo absorver direito. Louco isso, né? Bora todo mundo junto ser feliz!
Dito isso, quero anunciar que partilho da opinião desses que te consideram LINDA. : )
Fabi, a gente tem que combinar que aqui nesse blog todo mundo vai ser lindo! Topa?
Ah, mas o seu Davi é o charminho em pessoinha também, nhóim! Obrigadinhas (envergonhada pelo blog-momento-mãe-véia-coruja). Bjk.
Isso ele é meishmo, haha. E vergonha nada, ser coruja é super hiper ultra legal! Imagina quando chegar minha hora de ver show de Davi na escola, eu que já quase chorei uma mini-lagriminha vendo o balé da SUA filha? Aloca, né? Hahaha.
Te achei procurando dicas para pintar parede(devo dizer que não tive coragem e chamei nosso amigo pintor)e sigo cada passo desde então.Já estou aqui para acompanhar tudo de Venus em capricornio.
Mayara, adorei a busca inusitada que te trouxe pro Epinion, e foi pena você não ter tomado coragem, é bem divertido. Seja bem-vinda por aqui também!
Pois seja bem vinda a mais uma fase na jornada da vida gata, e quando digo gata é gata mesmo, eu que te conheço apenas online tenho uma imagem muito chic de você, que é sim uma mulher exuberante, e com uma personalidade e bom humor que são capazes de fazer até esse gigante de pedra aqui dar risada.
O Davi e sua relação com o Paulo, pelo pouco contato que se tem pelas internetes, são de encher o coração das pessoas, pelo menos o meu, mero desconhecido que usa isso como prova de que ainda existem seres humanos nesse mudo.
Beijão do Fashionista-Interneteiro-Podcaster aqui
Ah, e vc ainda me deve um café!
Andy queridoooo! Que fofo você. Olha que apesar do nosso não-café, tenho uma imagem super ultra massa de você também, do tipo que tenho até medo de conhecer pessoalmente e não conseguir mais viver sem. Podemos tomar o café esse finde, se você quiser, mas não me responsabilizo se eu passar a te ligar de meia em meia hora depois disso, darling! Eu se apego. Tá?
Como sou uma das loucas que te acompanha dos tempos de celebridade e até deixou presente na portaria do prédio, vou seguir te acompanhando. Queira ou não!
E nunca esqueci aquele teu email que ficou perdido do meu. Importa que lembro do teu carinho e por isso estou aqui.
Gente, Cris, eu não lembro desse email! Qual foi? Mas lembro suuuuper bem do seu presente de aniversário, que foi TUDO naquele meu aniversário super solitário pós-separação, dormi abraçada com ele, ririri. Beijo!
Essa eu não PERDO!
opa, agora com link.
Não PERDO MESMO.
hahaha
o link tava errado.
Meleca de NETBOOK.
DOIDA. Volta logo!
Dá a mão aqui, Paula, que meu vênus também está all-over. Inclusive em capricórnio.
Hahaha Naty, Vênus é minina! Dá a mão meishmo!
Oi, já estou te acompanhando aqui tb.
Senti uma grande identificação com a história.
Preciso fazer meu mapa astral para descobrir onde está meu Vênus …
Bjs.
Oba!!! Tô pronta! Tô pronta! (pra acompanhar a sua jornada!)
bjx
Paula, cadê esse blog? Eu estou comendo os dedos de ansiedade para começar a acompanhar os textos, afinal, como já te disse, eu tenho a pior auto-imagem da história das auto-imagens… hahaha Beijão.