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Um ato de bondade aleatória de cada vez

26 de June de 2007 · 23 Comentários

O que é que você está fazendo aqui? Este texto foi escrito em June 2007. Tá velho. Defasado. É inútil. Tenho certeza de que há alguma coisa mais nova e interessante por aqui.

No fim de semana fomos ver o Evan Almighty, o segundo da trilogia iniciada por Bruce Almighty (aquele em que Jim Carey vira Deus por um dia). Eu tinha gostado do primeiro filme, e também adoro o Steve Carell e a Lorelai Gilmore (eu sou brasileira e não desisto nunca de confundir o ator com o personagem, rá!), então lá fomos nós.

Mas não quero falar do filme (é bom, engraçadinho), mas sim de sua principal mensagem. Sim, o filme tem uma mensagem clara e deixa eu te contar uma coisa, não dê ouvidos à nova leva de escritores e críticos e que-tais: apesar de não ser mesmo necessário que a arte tenha uma utilidade, histórias com boas mensagens ou a famosa “moral da história” não fazem mal à ninguém. Pelo contrário. Houvesse mais disso no Brasil em vez de histórias em que bandidos são heróis e talvez nosso país fosse um pouco diferente.

Opa, divago. A mensagem do filme é que, para mudar o mundo, basta um ato de bondade aleatória de cada vez. Parece óbvio (pra mim, pelo menos, e espero que também pra você leitor), mas ultimamente tenho observado mais e mais como certas pessoas são estúpidas e grosseiras com as outras a troco de absolutamente nada. Funcionários de lojas que, às 10 da manhã, já estão mal-humorados e atendendo os clientes com rispidez. Motoristas de táxi que, apesar de estarem violando pelo menos cinco direitos do passageiro sem nem tirar as mãos do volante, se sentem no direito de tratá-lo como lixo.

No outro dia, jogamos uma caixa de papelão grande (estamos de mudança) na lixeira do nosso andar. Algum tempo depois, encontramos a caixa de volta na nossa porta, com um bilhete enorme escrito à mão dizendo: “que vergonha! você (seja lá quem for) colocou esta caixa na lixeira e ninguém mais conseguiu entrar lá dentro!”.

Fiquei com vontade de escrever um bilhete-resposta e colocar na lixeira, dizendo: “prezado e anônimo vizinho, obrigada pela gentileza de tão educadamente nos apontar esse nosso erro tão terrível que lhe causou imensos transtornos. Numa próxima vez, já que sabe onde moramos e que somos vizinhos, bata na nossa porta, pois teremos o maior prazer nos apresentar, lhe pedir desculpas pessoalmente, reparar o problema de imediato e, quem sabe, convidá-lo para um café.”

Depois desisti porque, ah, nems.

Felizmente, há no mundo muita gente que vive de bem com a vida e sem ódio do mundo. No outro dia, estávamos meio perdidos sem nos lembrar exatamente onde ficava a loja que procurávamos. Uma senhora nos perguntou o que estávamos procurando e se ofereceu para nos ajudar. Assim, no meio da rua. Gentileza gera gentileza.

23 Comentários

  • Em 26 de June de 2007 12:26, Ibere disse:

    Eu realmente não entendo pessoas grossas. Assim como gentileza gera gentileza, grosseria gera grosseria. Pessoas rudes teriam uma vida bem mais fácil se ao invés de maltratarem os outros (e serem maltratados de volta) fossem um pouquinho educadas, oferecessem ajuda.

    Eu sempre procuro ser exageradamente gentil com pessoas grossas. Geralmente elas percebem que não tem motivo para toda aquela hostilidade e acabam melhorando pelo menos um pouco. :-)

    • Em 26 de June de 2007 14:23, Beatriz disse:

      Pois é, por aqui as pessoas parecem preferir realizar uma maldade aleatória de cada vez…

      • Em 26 de June de 2007 15:34, Rosangela disse:

        Beatriz é verdade , a ultima maldade aleatória foi com a empregada na Barra e hoje eu vi o pai de um dos covardes, dizendo que ele é uma criança e não deve ir pra Polinter e que foi um erro!

        • Em 26 de June de 2007 22:04, Clarisse disse:

          Pois é, incrível como as pessoas estão embrutecidas aqui no Brasil. E eu não entendo como que tem gente que fala que nós somos um povo gentil e atencioso, porque além de grosseiras as pessoas adoram levar vantagem…

          • Em 27 de June de 2007 14:30, hardy disse:

            Mas as pessoas são tão complicadas… E quando vivem todas juntas nas cidades, então, complica ainda mais. Eu entendo a atitude do seu vizinho; talvez não o linguajar, mas entendo a atitude. Ele não tinha como saber que você é uma pessoa super legal que jamais quis causar transtorno a ninguém. Ele só sabe do transtorno que você causou. Vai ver ele também é uma pessoa super legal que só estava de saco cheio aquele dia.

            Desculpa se estou fazendo papel de chata. É que estou morando num lugar com muitos problemas de convivência, vindos de fontes diversas, e a gente fica meio doida mesmo. Com algumas pessoas eu falei cara a cara, pra outras mandei cartinhas (educadas), mas também já tive que chamar a polícia. Não dá pra chegar e conversar com todo mundo e, depois de uma ou duas experiências ruins, você fica com medo de chegar e conversar at all.

            Mas estou com você. Nada melhor que pequenos gestos de generosidade aleatórias. Nada melhor que trocar sorrisos com perfeitos estranhos na rua.

            • Em 27 de June de 2007 19:15, Marco Aurélio disse:

              Paula do céu!
              Você toparia escrever um textozinho para a revista onde trabalho, a B2B Magazine? Me escreve que eu te dou mais detalhes.
              Beijo!

              • Em 27 de June de 2007 19:39, NaCraudia disse:

                Paulíssima,
                eu ia escrever algo, mas vi que a “hardy” já escreveu. Apenas acrescento que, uma vez, eu já tive uma atitude parecida com a do seu vizinho: uma moradora mal-educada colocou uma sacola grande cheia de papel (lixo) na lixeirinha do elevador. Escrevi um bilhete amoroso, mas deixei de volta na porta dela. É uma maneira de ser cordial sem ter aquele ar “lição de moral”, porque veja, as pessoas não entendem se outra chega e diz “vc está errado”, principalmente se for um desconhecido. Fora isso, nos dias de hoje, corre o risco de vc levar uma trabucada no meio da fuça caso vá cheio de amor tocar a campainha alheia. Mas não concordo com agressão, nem individual e nem coletiva. E se deixar, fico aqui “falando” ho-ras.
                Sua vaca, me deixa morrendo de saudades.
                beijos
                ana

                • Em 27 de June de 2007 20:13, Paula disse:

                  Iberê, você tocou exatamente no ponto: esse povo grosseiro nao percebe que só se dá mal assim e só leva coice de volta…

                  • Em 27 de June de 2007 20:14, Paula disse:

                    Beatriz, por aí, por aqui e em qualquer lugar. Infelizmente, falta de educação, grosseria e mau humor sem motivo não têm endereço: tem em qualquer lugar mesmo.

                    • Em 27 de June de 2007 20:35, Paula disse:

                      Rô, eu vi essa notícia depois que vi o seu comentário e nem acreditei. A falta de gentileza começa nas pequenas coisas e chega a níveis estratosféricos… :( Se bem que, nesse caso, é muito mais que falta de gentileza, é também falta de educação, de noção, de humanidade mesmo.

                      • Em 27 de June de 2007 20:36, Paula disse:

                        Clarisse, como eu disse num comentário acima, isso infelizmente acontece no Brasil e no resto do mundo também. Não é exclusividade nossa não.

                        • Em 27 de June de 2007 20:38, Paula disse:

                          Hardy, eu concordo com todo o seu comentário e acho que deixei de fora uma informação importante no meu texto: não há uma regra específica no prédio (ou pelo menos nunca fomos informados, e olha que fomos informados de duzentas e cinquenta e sete regras diferentes ao entrar aqui) determinando tamanho de caixa que pode ir no lixo. E nesse nosso ano aqui, já vi caixas de todo o tipo e tamanho, por isso nós concluímos, ou assumimos, que a nossa também poderia ir pra lixeira. Eu jamais colocaria lá se soubesse que não podia.

                          • Em 27 de June de 2007 20:40, Paula disse:

                            Ana, mesma resposta que dei pra Hardy: a gente não sabia que existia essa “regra”, ou mesmo praxe (até porque na prática não é assim que temos visto funcionar). E anyway, mesmo que fosse de forma anônima e jogando na nossa porta, o bilhete podia ter sido educado, tipo: “prezado vizinho, sua caixa está atrapalhando a circulação na lixeira. Por favor, deixe-o no lugar x, y,z. Abraços.”
                            Ou não. Sei lá. Eu só acho que o mundo podia ser menos assim duro. Mas pode ser eu e minha eterna fé patológica no ser humano e num mundo melhor.

                            • Em 27 de June de 2007 21:25, zel disse:

                              paula, eu sou do contra, c sabe, então lá vem: eu tenho um projeto secreto de mandar fazer adesivos (aqueles que GRUDAM BEM) pra colar nos carros das pessoas sem noção nos estacionamentos (que param em 2 vagas, que param de um jeito que ninguém mais consegue parar, etc.). o adesivo teria algo do tipo: APRENDE A ESTACIONAR, SEU BURRO!

                              c acha que dá pra dizer SEU BURRO! com alguma gentileza? :D mande sua sugestão de adesivo para motoristas sem noção, tá? beijo.

                              • Em 27 de June de 2007 21:29, Paula disse:

                                *HAHAHAHAHAHA*!!!
                                Zel, eu sou TOTAL a favor de chamar a atenção de quem é mané (aliás, “mané” fica bem bunitinho em vez de burro, hein?). Não confunda, eu só sou contra a grosseria DEGRÁTIS. Se fez manezisse, aí pode. Hehehe. E, voltando ao caso da caixa de papelão, a gente pode até ter sido mané sem saber, mas DIACHO, NÃO TINHA COMO A GENTE SABER!

                                ps: vc acha que se fizermos uma quantidade maior de adesivos sai mais barato? Haahahhaa….

                                • Em 2 de July de 2007 23:04, Juliana disse:

                                  Paula,

                                  Estou tentando falar com vc mas não estou conseguindo.
                                  Mandei sms para seu antigo cel, liguei…
                                  Enviei mail para 2 endereços diferentes e ambos voltaram.
                                  Me dá um toque qdo puder.
                                  Beijo, Juliana

                                  • Em 8 de July de 2007 21:05, Giselle Vasconcelos disse:

                                    aí já imagino uma festinha na lixeira, pra conhecer a casa do vizinho…

                                    • Em 10 de July de 2007 12:35, Marco Aurélio disse:

                                      Cadê vocêeeeeeeeee?

                                      • Em 13 de July de 2007 15:24, Ângela disse:

                                        Paula sumiu? Voltou para o Brasil?

                                        Saudades dos seus textos.

                                        • Em 17 de July de 2007 23:19, Ibere disse:

                                          Cadê a Paula?!

                                          Zel, uns caras fizeram um site só pra vender adesivos como esse que você falou:
                                          http://www.iparklikeanidiot.com

                                          • Em 19 de July de 2007 22:19, Marcia Aguiar disse:

                                            Paula, cadê você? Ouvi falar que vocês estavam em SP, é vero?
                                            Vou correndo comprar o livro do Paulo!
                                            beijos

                                            • Em 20 de July de 2007 11:26, Ivan disse:

                                              E o pior é que, às vezes, o site nem entra no ar. O pavor de ficar sem o Epinion é indescritível !!!!

                                              • Em 20 de July de 2007 11:30, Any disse:

                                                Eu gosto deos Devil Duckies e da Crazy Cat Lady, mas esse aqui me lembrou você:
                                                http://www.mcphee.com/items/11516.html