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Sony Reader e a velha polêmica

3 de June de 2007 · 20 Comentários

O que é que você está fazendo aqui? Este texto foi escrito em June 2007. Tá velho. Defasado. É inútil. Tenho certeza de que há alguma coisa mais nova e interessante por aqui.

Sony Reader A menos de um mês da nossa volta para o Brasil, começamos a listar todas as coisas que gostaríamos de comprar antes de ir embora. Uma vez listadas, vamos nas lojas, pegamos, cheiramos, brincamos, experimentamos, etc., pra ver se queremos mesmo gastar nossos dinheiros. Ontem foi o dia de irmos na Borders dar a milionésima olhada no Sony Reader, essa maquininha que permite ler livros em pdf e uma série de outros formatos, ouvir mp3 (incluindo audiobooks, minha última mania) e outras vantagens que estou velha demais para entender, aprender e fruir.

Bem.

O bichinho é leve, gostoso de segurar, os controles são fáceis o suficiente para serem operados até mesmo pelo Elo Perdido e a Sony fez um real esforço (bem sucedido, pelo menos aparentemente) para que a leitura na tela não fosse muito mais cansativa do que a leitura numa folha de papel. O fato de que todos os livros que leio e que pretendo ler nos próximos 50 anos estão disponíveis no Project Gutenberg é, como diria Galvão Bueno, um plus a mais. Como é raro que eu saia de uma livraria menos de 100 doletas ou 100 tupinicoletas mais pobre, o investimento de $350 no Sony Reader seria amortizado rapidamente.

O Paulo deu a opinião dele. Eu vou sempre sempre sempre preferir o livro em papel (ainda que seja o arquivo pdf impresso) porque já não consigo mais ler sem sublinhar, sem fazer anotações e, de uma certa forma, interagir com o livro. Tem gente que torce o nariz (mentira, só a Feiticeira consegue torcer o nariz) para quem profana! rabisca livros. Eu nunca cheguei a torcer o nariz, mas confesso que já fui daquelas que tem pequeninos arrepios internos quando via alguém marcando livros, especialmente se fosse à caneta (especialmente caneta azul, sabe deus por quê). Uia, me subia um troço até. Meus livros, depois de lidos, podiam até mesmo ser devolvidos na livraria e ninguém seria capaz de notar que um ser humano os havia tocado (tá, talvez o Grissom do CSI pudesse, mas você entendeu).

O resultado dessa minha fase é que, no outro dia, quando o Paulo publicou uma lista dos 13 livros que ele havia lido e dos quais não lembrava absolutamente nada, eu tive alguma dificuldade para fazer uma lista contrária, dos 13 livros que eu havia lido e dos quais eu lembrasse qualquer coisa (excluindo, obviamente, os livros que li no último ano). Eu já contei por aqui como foi que, na Columbia, eu descobri que não sabia ler. Eu era uma analfabeta funcional literária. É sério isso.

Pois dos livros que eu leio agora eu não só lembro a sinopse, mas também lembro passagens, frases, idéias, detalhes sobre a vida do autor (sim, eu pesquiso), a época em que o livro foi escrito, outras histórias com as quais o livro se relaciona, etcétera. E se por algum motivo eu esquecer, basta voltar às páginas do livro e lá estarão todas as minhas anotações, pensamentos, trechos sublinhados…muitas vezes na outrora temível caneta azul. O livro é MEU, eu o tornei meu não só por pagar dinheiros por ele, mas também por colocar um pouco de mim nas suas páginas.

E isso tudo pra dizer que, por mais moderneco, fofinho, levinho, econômico, prático e incrível que possa ser o Sony Reader, ele não é pra mim. Talvez quando ele vier acompanhado de uma canetinha intergalática que permita escrever na telinha intergalática, aí sim, possamos conversar. Por hora, fico com meus livrinhos queridos, cheirosos, macios, apetitosos, rabiscados, sublinhados, LIDOS, amados.

***
ps: hoje é dia de irmos na Toys R’ Us e brincarmos com o Nintendo Wii. Será que ele irá nos conquistar? Stay tuned.

20 Comentários

  • Em 3 de June de 2007 20:46, Dri disse:

    Já vai voltar? Não eram dois anos? Eu perdi alguma coisa????…..

    • Em 3 de June de 2007 21:08, Giselle Vasconcelos disse:

      Eu li Jane Eyre, primeiro na época da Cultura Inglesa, uma daquelas versões simplificasa, dpois na Faculdade a versão completa. Eu preferia a Jane criança, ela aprontava e dizia mesmo as sandices que vinham na mente, das minhas…

      • Em 3 de June de 2007 21:30, Vladimir Cezar disse:

        Putz! Eu não sei ler!

        • Em 3 de June de 2007 22:04, Paula disse:

          Dri, era um ano, podendo se ampliar para dois. Não ampliou. Estamos indo pra SP mês que vem. :)

          • Em 3 de June de 2007 22:07, Paula disse:

            Gisele, eu abomino essas versões abridged que eles mandam a gente ler na adolescência (eu, por exemplo, li George Eliot pela primeira vez na vida assim…dammit). Mas, considerando o resto da educação literária no Brasil, é um favor que o curso de inglês te fez ao te apresentar Brontë, ainda que abridged, já que escola brasileira acha que cânone é José Lins do Rego e Jorge Amado (e veja, tudo pode ter o seu valor, mas há que se ter um pouco de perspectiva…).

            Você já releu Jane Eyre? Eu li a primeira vez em português e agora quero reler em inglês. De repente lemos ao mesmo tempo, que tal?

            • Em 3 de June de 2007 22:09, Paula disse:

              Vladimir, bem-vindo ao clube. No mais, você me dizer que não sabe ler não é surpresa alguma, considerando que você é brasileiro e 99% das chances são de você ter recebido sua educação literária no Brasil (toda ela voltada para um dia da sua vida, o vestibular, e toda ela focada na literatura nacional).
              A boa notícia é que tem solução. Muitas. De fácil acesso, se você souber ler em inglês e estiver disposto a gastar algumas doletas no processo. Me avise que te recomendo alguns livros (nada teórico e chatola como se imaginaria se fosse material brasileiro, não se preocupe).

              • Em 3 de June de 2007 22:10, Paula disse:

                Ah, e quando eu digo gastar algumas doletas no processo, são poucas tá? Não é um tuition de 40 mil dólares de faculdade americana. É tipo vintinho.

                • Em 4 de June de 2007 12:09, Ivan disse:

                  Putz, acho que também não sei ler….
                  Será que vou ter que ir à Columbia prá aprender ? Quarenta mil ? Sniff…

                  Quanto ao leitor da Sony, acho que deve ser muito legal prá ler (no metro ou ônibus, por exemplo) textos mais curtos, desses milhares de artigos de jornal, posts de blog e outras coisas que, se interessantes, podem ser copiadas e indexadas no computador.

                  Fiquei animado quando vi os artigos de avaliação que saíram na época do lançamento…

                  PS. Que bom que você voltou a escrever =8-)) !!!!

                  • Em 4 de June de 2007 13:53, Juju disse:

                    Ouvi dizer que o Bandeira comprava sempre duas edições de cada livro: uma pra ter intacta na estante, outra pra rabiscar, anotar e o que mais ele quisesse.

                    Bom, pode não ser o Bandeira, não me lembro bem. Mas foi algum desses clássicos da terrinha….

                    • Em 4 de June de 2007 15:21, Paula disse:

                      Ivan, aos poucos eu vou escrever mais sobre isso de não saber ler (e como mudar). E vou também preparar uma lista boa de livros sobre o assunto. Espera só um pouquinho.
                      Sobre ler com o Sony Reader no metrô ou ônibus, VOCÊ MORA NO BRASIL??? Aloooouco, tira um Sony Reader no Rio (qualquer lugar, escolha o seu) e babau. Torça para ficarem os dedos. O.o

                      • Em 4 de June de 2007 15:23, Paula disse:

                        Juju, já ouvi essa história também, mas acho uma coisa muito Monk. E detesto livro intacto, não há nada mais triste numa biblioteca. Tenho um amigo que tem uma linda biblioteca, feita sob medida, para seus lindos livros novinhos em folha que nunca foram e jamais serão lidos. Eu acho uma pena…

                        • Em 4 de June de 2007 17:19, Carla disse:

                          “E vou também preparar uma lista boa de livros sobre o assunto”. Tambem estarei esperando ansiosameeeeeeeeeeeeete. Beijo!

                          • Em 4 de June de 2007 21:53, Rafaela disse:

                            Adorei a sua definição para o ato de rabiscar livros. Vou responder quando algum chato torcer o nariz (haha, ou não!) exatamente isso. Eu os torno meus. Além de eu riscar, rabiscar (com elegância, é claro ;), eu anoto coisas inclusive no índice, se houver, e por aí vai.
                            Também estou esperando pelas aulas de “Como aprender a ler”, pois essa é uma coisa que eu tenho quase certeza que não sei. :(

                            • Em 4 de June de 2007 21:57, Paula disse:

                              Carla, pode deixar que eu vou fazer sim. Ainda mais sabendo que tem gente interessada. :)

                              • Em 4 de June de 2007 21:58, Paula disse:

                                Rafaela, no índice eu nunca anotei não, mas adorei a idéia! O que eu faço muitas vezes são novas notas de rodapé…hehehe.

                                • Em 5 de June de 2007 13:27, Ione disse:

                                  Solta a lista de livros sobre assunto, Paulá!

                                  • Em 5 de June de 2007 15:10, Rosangela disse:

                                    Paulita , mais uma aluna ansiosa pelos ensiamentos…. e depois dizem que ler blog é bobeira, neste aqui , eu me divirto, fico sabendo das novidades do mundo afora, leio livros que talvez jamais ia ter conhecimento e fico sabendo coisas importantisssssimas para minha vida,ex: como saber rir de si mesmo é o melhor remédio para viver melhor.
                                    Beijocas

                                    • Em 5 de June de 2007 16:23, Paula disse:

                                      Ione, to pensando em preparar uma série de textinhos sobre o assunto, pra ficar uma coisa bem legal. Mas toma tempo e, no momento, to organizando minha ida pra SP. Essa semana ainda eu solto o primeiro, promise. :)

                                      • Em 5 de June de 2007 16:24, Paula disse:

                                        Rô, ensinamentos não que eu também estou sempre aprendendo! ;) E que bom que você se diverte por aqui, eu também me divirto escrevendo. Beijo, querida!

                                        • [...] Paula, do Epinion, em seu artigo sobre o Sony Reader, leitor de livros eletrônicos da Sony, tocou em um assunto fora desse tópico, mas que considerei [...]