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Update dos biscoitos derrota

18 de Junho de 2008 · 12 Comentários

Diante da minha reclamação, a Triunfo rapidamente entrou em contato por email pedindo meu telefone. Respondi, claro, e igualmente rápido recebi um recado no meu celular me pedindo que ligasse no número 0800 da empresa.

Ligar para um 0800, passar por todas as opções, atendentes gerundistas e etcétera…pensei duas vezes, mas lembrei de todos os leitorinhos desse blog que eu não podia deixar na mão, em especial minha amiga de fé e irmã camarada Mari F.. Liguei, pois.

Agendaram a retirada do produto para dia 10/06, horário comercial. Obviamente, o dia se passou e vocês vieram retirar bolachas murchas no meu escritório? Nem eles.

Uma semana se passou e nada, nenhum email, telefonema, explicação ou remarcação. Então ontem mandei um singelo email, informando do lapso temporal (sou phyna, bein!) e informando que estaria descartando o produto. Por fim, agradeci por me demonstrarem que a empresa caga e anda para a qualidade do que vende.

Cinco minutos depois, toca meu celular. A atendente, num cinismo machadiano, me diz que há uma semana estão tentando retirar o produto comigo, sem sucesso.

“Impossível, querida. Dei meu endereço comercial, onde trabalham mais de 200 pessoas.”

E outra, a nega liga no meu CELULAR e diz que está tentando e não conseguindo fazer xis há uma semana. E por que raios ela não ligou então no meu celular antes e disse que estava com problema para [insira aqui uma desculpa esfarrapada qualquer, tipo “encontrar o prédio”]?

Agendamos para hoje. Antes das 9h, a funça chega aqui para retirar o produto. Estou em casa, óbviamente, mas havia deixado o pacote separado sobre a mesa e mando minha secretária entregar.

E nesse momento a palhaçada da empresa se multiplica enlouquecidamente como uma célula cangerígena, e a funça se recusa a dar ou assinar qualquer recibo comprovando que entreguei o produto.

Em contra-partida, ela quer que a minha secretária assine em meu nome um documento xis dela, cujo teor eu desconheço. E a palhaçada fica tão grande que explode em mil pedacinhos no universo: ela não pode deixar a secretária tirar uma cópia do documento que vai assinar.

Peço para falar ao telefone com a nega. Olá querida, é isso mesmo? Você quer que eu assine um documento por procuração sem saber do que se trata e sem ficar com uma cópia? HE-LLOW.

Aviso para a secretária não assinar nada e, se a funça não quiser retirar o pacote, jogar no lixo e fôdassy.

Algum tempo depois, chego no escritório e encontro sobre a minha mesa o singelo ressarcimento deixado pela Triunfo: um pacote do mesmo biscoito. Abro, provo: está uma merda. Queimado e com um sabor horrendo.

Enquanto eles fazem a análise de qualidade deles, eu emito o meu laudo pessoal irrevogável e inapelável: Nevah more.

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Heal the world, make it a better place

29 de Maio de 2008 · 44 Comentários

Tudo começou quando comprei as bolachas pela primeira vez e fiquei em estado de êxtase (sim, leitores, existem pessoas que ficam em estado de êxtase por qualquer merreca).

Gastei uma longa conversa com a Grace, inclusive, tecendo comentários sobre a deliciosidade dessa iguaria que rapidamente havia se tornado tão essencial na minha alimentação. E que, naturalmente, precisava se tornar essencial também na alimentação de Grace.

Como Grace mora nos confins do mundo, onde os únicos biscoitos disponíveis são creme cráque e um outro tão sem graça quanto, anotei o endereço da pessoa e me ofereci para lhe mandar alguns pacotes.

Voltei ao mercado (marbarato, marbarato, Extra!) e comprei dúzias de pacotes, para mim, para Grace e para toda a Humanidade. Sim, eu estava decidida a impôr convencer a todos que tinha descoberto o biscoito mais gostoso de todos os tempos.

Eis que. Cá estou eu, no sirviço, quando abro um pacotinho de Triunfo 3 Cereais. Minhas papilas gustativas já entrando em clima de festinha, meninos prum lado, meninas pro outro, esperando serem chamadas pra dançar. Até que dou a primeira mordida e…

…percebo que estou comendo um pedaço de chinelo. Duro. Insosso. Sem sabor. Queimado.

Não é possível, penso. E mordo de novo. Outro pedaço de chinelo, mesmo sabor (ou ausência de). Olho para o pacote (Putz-que-burra, só posso ter comprado errado!), mas é o mesmo biscoito delicioso do outro dia. Olho a validade (Só pode estar vencido! Deve ser do tempo dos Astecas…), mas, aparentemente, o biscoito é comível até novembro de 2008. Como já está intragável hoje, imagine daqui a alguns meses.

Me revolto. Ma me revolto muito. (Notem que eu já passei de Denial para Anger). Barganho e como só mais um pra ver no que dá. Iécou.

Finalmente, aceito que tudo não passou de um sonho, uma fantasia, a promessa de um biscoito perfeito que podia me acompanhar para todos os lugares, aprontando mil e uma aventuras comigo nas tardes de domingo. Mais ou menos como era o goiabinha na minha infância. Ou o Trakinas recheado de morango na adolescência. Ou o Cheetos Flamable em Nova York (aaaah, Cheetos Flamable, um dia precisamos dedicar um post todinho em sua homenagem…).

Mas não me resigno. E como uma pessoa revoltada e ao mesmo tempo entediada é capaz de coisas que até Deus duvida, entro no site da Triunfo, vejo o endereço eletrônico do SAC e gasto a próxima meia hora (o que significa, aliás, a perda de cerca de muitas doletas) escrevendo um longo email para a empresa. Que, por sinal, eu SEI que vai ser respondido por um analfabeto funcional em gerundismos variados que se encerrarão com um “sua opinião é muito importante para nós”.

Por que, então, vocês se perguntam, eu me dei ao trabalho? Porque eu, leitorinhos, estou tentando fazer desse mundo um lugar melhor pra vocês. Para que vocês possam comprar bolachinhas de qualidade.

Não precisam agradecer.

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As metades da laranja

28 de Maio de 2008 · 3 Comentários

Temos duas caixas preferidas no mercado perto de casa. Uma é semi-albina, cabelinho ruivo, ri das nossas piadinhas de boca-de-caixa e tem dedos ágeis que passam as compras rapidinho.

A outra é uma tiazinha que não sabe o preço de nada, não sabe o código de nada, não sabe o que está fazendo ali e para tudo ela precisa chamar a mocinha da caixa ao lado:

“Fia! Ôoooo fia! Ucê sabe o có dissaqui?”

E produto sim, produto não, ouvimos a frase na voz de taquara rachada da lesminha. Ficamos tentando adivinhar quando lesminha vai pedir socorro novamente. Nos divertimos com a cara de desespero, de “ai meu padinho pádi ciço quanto custa isso?” da lesminha. E a cara de “ai meus caralhos que saco essa tiazinha, larga d’eu!” da caixa ao lado.

Apesar de ela ter bem uns 127 anos, no crachá dela diz: “Treinamento”. Ma é craro. E também é óbvio que sempre pegamos ela quando estamos com o carrinho beeem cheio, com compras para 2 anos.

Certa vez entramos na fila da lesminha - que obviamente não anda - e vimos a cliente da frente puxar do bolso um folheto de outro mercado, dizendo: “no carrefú isso tá marbarato!”. Porque paresque se levar o panfleto do carrefú o nosso mercado cobre a diferença.

“Fia! Ôooo fia!”

Ouvimos, desejamos boa sorte silenciosamente e mudamos de fila, nos divertindo porque aquela cliente logo logo descobriria que desafiar a lesminha com uma tarefa impussívi não valeria a pourra dos cinco centavos de economia.

E é assim que o mundo é, leitorinhos: onde tem uma albina super ágil sempre tem uma lesminha “em treinamento”, mantendo o equilíbrio do universo, numa manifestação concreta de yin e yang, das forças do destino, uaréver.

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Precisamos agora do segundo milagre

16 de Maio de 2008 · 8 Comentários

Eis que há algumas semanas o Paulo traduziu um livro de uma dessas autoras de literatura de cabaré, desses que a gente lê quando tem 13 anos de idade e acha super divertido que tem membros entumescidos e botões de rosa.

Eu já estava cansada de receber telefonemas no meio da tarde com perguntas do tipo: “oi, você sabe outro sinônimo pra gozar?”

Mas finalmente o trabalho acabou e logo logo viriam os respectivos dinheiros.

E o que você faz com muitos dinheiros que ganha traduzindo coisas como coxas viris e torso nu? Ora ora, você decide presentear a sua amada no aniversário de casamento com uma noite maravilhosa num hotel absurdamente caro, com direito a massagens a dois, pedilúvio, banho de ofurô, menu confiança e frescalhagens do gênero. É o perfeito ciclo kármico econômico: dinheiro de sexo financiando…olha, amor, que tv de plasma foda!

Aí o que Murphy faz? Faz a pourra da editora não pagar os dinheiros no dia certo. E o hotel está reservado. E custa dinheiros, tipo muitos. E eles têm nosso cartão de crédito. E nós vamos fazer massagens e voltar pelados de lá.

Agora é contigo, Santo Ivo!

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Milagre, muffins e etc.

16 de Maio de 2008 · 2 Comentários

Não é que Santo Ivo já fez seu primeiro milagre e o Pedro apareceu lá em casa para comer muffins? Só que Santo Ivo deve estar no fuso horário de Paris, coitado, que o Pedro só chegou às 11 da noite, Los Paulos com só um pauzinho de bateria e já piscando…

Então que o Pedro já chegou abrindo seus livrinhos pra me mostrar. Dei uma olhadela e, pra mim, mais parecia grego. E era! Agora me digam, eu POSSO com uma pessoa que chega com Medéia em grego na minha casa e ainda me mostra? Será que Pedro não percebe que malemá eu leio em Português?

Daí em diante, enquanto o Pedro falava de coisas triviais como o modelo girardiano do desejo triangular, eu fazia minhas astutas citações de Homer Simpson, provavelmente introduzindo-o no maravilhoso mundo das pessoas com menos de 150 pontos de QI.

Aposto que ele voltará.

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Dúvida

14 de Maio de 2008 · 4 Comentários

Hoje recebi vários emails sobre uma comemoração a Santo Ivo, missa de Santo Ivo, Santo Ivo pra cá e pra lá. Até email da OAB eu recebi sobre Santo Ivo.

Sério, gente, quem é Santo Ivo na noite? Tipos, estudei em colégio jesuíta e me considero razoavelmente versada em santos de segundo e até terceiro escalão. Mas Santo Ivo? Nevah heard.

Tic. Tac. Tic. Tac.

Não agüentei e wikipidiei o Santo Ivo. E não é que é o padroeiro dos advogados? To passada que eu não conhecia mais esse santo para quem eu posso pedir favores.

E olha, Santo Ivo era super fino, tsá? Nasceu na França e “mostrou o brilho de sua inteligência” em Paris (juro!).

Eu, por minha vez, estou há várias semanas tentando convencer o Pedro a me mostrar o brilho de sua inteligência, mas não consigo. Já expliquei pra ele que não precisa ter medo, que burrice não é contagiosa, mas não funcionou.

Taí, vou pedir pra Santo Ivo convencer o Pedro a ir comer um muffin lá em casa e se encantar com a minha ignorância.

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Envelhecendo a cada milisegundo

13 de Maio de 2008 · 10 Comentários

Você percebe que está ficando velha quando constata que o hidratante não é necessário somente no rosto, mas também no pescoço, não somente abaixo do joelho, mas na perna toda (e, se possível, no resto todo, pra falar a verdade). Outro sinal claro é quando você abre documentos no Word e coloca zoom de 120%, pra não “cansar a vista”. Sempre achei que esse dia nunca chegaria. Mas chegou.

(*cenas do próximo capítulo: minha aula de Tai Chi Chuan. A sério.)

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