*** ATENÇÃO, ESTE TEXTO É UM SPOILER NÃO SÓ DO FILME ONCE MAS TAMBÉM DO LIVRO JANE EYRE DE CHARLOTTE BRONTË (mas também se você não sabe o que acontece em Jane Eyre, né, aí é fouda. Digamos que a sua alma já está perdida mesmo.) ***
Só por insistência do Paulo vou escrever este texto. Acho um tanto sem propósito escrever um texto comparando um filme que ninguém viu e provavelmente não verá a um livro que quase ninguém leu e provavelmente nao lerá. Seria muito mais proveitoso, por exemplo, eu escrever um texto contando das minhas capacidades sobre-humanas de pegar batatas Pringles bem no fundo da lata (orgulho da mamãe!). Mas quem conhece os poderes de insistência sufocantes do Paulo sabe do que eu estou falando.
Não vou repetir a sinopse do filme (se quiser, leia no texto do Paulo), mas (***OLHA O SPOILER DO FILME!!!***) parece que eu sou a única pessoa que não ficou revoltadinha-da-estrela porque a Girl não fica com o Guy no final (não, eles não têm nome). Oras, ela é uma menina Tcheca, casada, com uma filhinha pequena que ela diz não querer que cresça longe do pai. vale lembrar também que o pai da Girl era um músico de orquestra que se suicidou, o que explica em parte esse desejo dela.
Para muita gente, é inexplicável que ela não troque tudo isso pelo amor verdadeiro que ela encontra. Mas para quem leu Jane Eyre não é tão estranho. (***AGORA O SPOILER DO LIVRO!!!***) Eis que Jane, apaixonada pelo Sr. Rochester (ai ai, o Sr. Rochester…), desiste de se casar com ele (no altar!) quando descobre que ele já é casado. Os de moral “flexível” saem com várias explicações, mas veja bem, a mulher dele é doente, ela não a ama, etc. e tal. Mas não a Jane. Ela quer amor + moral, e estamos falando de moral nos tempos vitorianos, meus amigos, tempos em que não se usava cueca como carteira. Mais tarde, quando ela se vê com a oportunidade de ter um casamento dentro dos conformes com outro homem, ela também declina. Esta opção, apesar de moralmente correta, não envolvia amor, e a Jane quer o pacote completo.
Pois a Girl interpretada por Marketá Irglová é assim uma Jane Eyre contemporânea. Ela se apaixona pelo Guy, mas é um relacionamento que, de acordo com os padrões morais dela não seria correto. Ponto. Nada de flexibilidade moral. Por isso amamos a Jane e por isso amamos a Girl, ainda que o final do filme não seja “feliz” para muita gente. Para mim é feliz, pois ela encontrou sua alma gêmea e viveu com ele o que poderia viver, dentro das circunstâncias de vida dela naquele momento.
Ah, e você amigo que mora na Tupinicolândia e que provavelmente não verá Once tão cedo (se é que verá): corra no ITunes e compre a trilha sonora do filme. Dez doletas por um bocado de músicas sensacionais.

Oi Paula!
Tinha acabado de ler o ultimo post do Paulo quando li o seu aqui (legal essa história de vocês serem um casalzinho escritor!). Daí que eu acabo fazendo ligações como essa daqui:
O Paulo no ultimo post falou sobre GG, e, lendo o seu texto, lá na ultima oração do quarto parágrafo, você me lembrou uma fala da lorelai dizendo que ela vai ser always the one who almost got the whole package.
Hehehe. :) Desculpa, eu sou meio boba.
Um abraço!!
Helana, essa fala da Lorelai é perfeita para o que eu quis dizer! Que bom que você lembrou. :)
Eu li Jane Eyre na adolescencia e ainda hoje me lembro perfeitamente da história ;-)
Kelli, eu li tem uns 2 anos e, apesar de ainda lembrar bem da história (nesse meio-tempo eu vi 2 filmes diferentes baseados nele) eu quero reler o quanto antes. Como li a primeira vez em português, quero agora ler no original. Desconfio que vou descobrir que o livro é ainda muito melhor.