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Desculpe, mas vou ter que deixar você ir

5 de May de 2007 · 13 Comentários

O que é que você está fazendo aqui? Este texto foi escrito em May 2007. Tá velho. Defasado. É inútil. Tenho certeza de que há alguma coisa mais nova e interessante por aqui.

Na segunda-feira, logo depois da minha primeira prova, tive uma reunião com um dos meus professores, no escritório dele. Na verdade na verdade, ficamos batendo papo por cerca de meia-hora sobre o curso, meu futuro profissional e sobre ampliar meu paper para publicação, num tom altamente amigável e informal. Até que de repente, não mais que de repente, ele olhou para mim, sorriu, se mexeu na cadeira e disse muito educadamente: “I’m sorry, but I’ll have to let you go now…” Levantou e já começou a andar na direção da porta.

Lembrei que ele tinha feito o mesmo na nossa primeira reunião, nos idos de janeiro. E nas outras que se seguiram. Lembrei que todos os advogados com quem eu tinha feito entrevistas durante minha estada aqui tinham feito o mesmo quando a entrevista chegava ao fim. Sempre sorrindo. Sempre já estendendo o braço pra mostrar o caminho da porta.

Para quem nunca conviveu com americanos, pode soar falta de educação ou grosseria. Acreditem: não é. É um jeito polido de dizer que a reunião - seja lá qual for o propósito -foi muito boa, mas é hora de terminar e partir para outras atividades.

Eu, particularmente, acho super elegante. Acho, inclusive, que o uso da expressão devia ser estendido a outras áreas da vida da pessoa. E não só vou adotar, mas vou aumentar o alcance e vou utilizar amplamente para encerrar amizades que já deram o que tinha que dar. Sempre me perguntei o que fazer com, ou melhor, como me livrar daquelas pessoas indesejáveis que ficam orbitando na minha lista mental de amigos mas que, no fundo, não têm nenhuma função social no meu ecossistema.

Não me refiro àquelas pessoas chatas porém sempre presentes. Nem às ausentes que, quando finalmente aparecem, aquecem o meu coração, me fazem rir e me apóiam. Nem àquelas que nunca jamais aparecem mas que estão lá e serão as primeiras pessoas para quem irei ligar quando tiver um cadáver na mala do meu carro. Todos estes personagens, por mais defeitos que tenham, têm o seu papel. Mas não. As pessoas de quem eu devia me livrar são meramente chatas e ausentes. Não dividem as alegrias (só os problemas) e não estão nunca presentes nas horas difíceis. Não estendem uma mão amiga (ai, que brega, mas eu gosto de uma mão amiga, tá?), não querem nem saber se está tudo bem ou se você está em estado terminal (foda-se, problema seu).

Então hoje eu passei o dia pensando nessas pessoas, esses “amigos” com muitas e muitas aspas de quem ando precisando me livrar. Me imaginei pegando o telefone e ligando para um por um e dizendo: “oi fulano, aqui é a Paula. Olha só, desculpe, mas vou ter que deixar você ir.” E bang. Foi tão divertido de imaginar que agora estou começando a considerar partir para a realidade.

ps: Ah, e se você é meu amigo, está lendo isso e se perguntando se receberá uma ligação minha em breve, fique tranquilo. Esse tipo de gente não tem a MENOR noção e jamais se perguntaria.

13 Comentários

  • Em 5 de May de 2007 02:08, Donizetti disse:

    Sabe que gostei da metodologia? Acho que vou usar também…

    • Em 5 de May de 2007 11:07, Rosangela disse:

      Preciso dizer isso para algumas pessoas e coisas em minha vida.
      Querida, que seu final de semana tenha o calor do sol, o cheiro das flores e o gosto do chocolate.(acordei hoje muito amávell,rs)
      bjs

      • Em 5 de May de 2007 20:00, Cristina disse:

        Queria muito q o meu prof de bankruptcy dissesse isso pra mim nesse momento… Amiga, nao ta dando mais, serio!
        to no limite

        • Em 5 de May de 2007 20:03, Paula disse:

          Rô, por aqui também acordamos de bom humor e fomos fazer picnic no parque. Ou seja, teve calor do sol, cheiro das flores, chocolate, queijinhos e tudo mais! :) Espero que o seu fim de semana seja também muito bom!

          • Em 5 de May de 2007 20:03, Paula disse:

            Ai Cris, nem sei o que te dizer…estar de férias é um alívio delicioso, mas também dá um tremendo vazio no peito, como te disse. Sei que é difícil pra você acreditar agora, mas semana que vem a gente conversa….rs

            • Em 5 de May de 2007 20:04, Paula disse:

              Donizetti, pode usar à vontade que não vou patentear. Hahahaha.

              • Em 6 de May de 2007 16:07, zel disse:

                nossa, caiu como uma luva pro meu atual momento, amigam (com todo sotaque paulistann) :D

                • Em 6 de May de 2007 20:27, Giselle Vasconcelos disse:

                  Eu fiz uma faxina dessas há uns anos atrás e, sinceramente, não me arrependo, sempre era procurada pras piores horas e nos bons momentos estava de fora. Achei a expressão muito legal, um método mais educado do que o meu usual.

                  • Em 7 de May de 2007 09:49, Paula disse:

                    Zel, eu SABIA que você ia gostar. Hahahaha.

                    • Em 7 de May de 2007 09:51, Paula disse:

                      Gisele, eu nunca tive método nenhum porque pra mim é muito difícil me livrar das pessoas, mesmo as mais sem noção de toda galáxia. Graças à minha fé patológica no ser humano, eu sempre acho que as pessoas vão se tocar, melhorar, etc. Muitos e muitos anos depois, estou finalmente me dando conta de que algumas pessoas nunca mudam mesmo. É a gente que tem que mudar.

                      • Em 7 de May de 2007 15:53, Van Lampert disse:

                        Nossa, que medo. Eu sou paranóica. Olha só, se eu estiver nessa lista, entenderei, com toda a fofura que me é peculiar. Pode falar, tá?

                        Beijos!

                        • Em 7 de May de 2007 18:04, Paula disse:

                          Van, você desconfiou, então já está reprovada no teste, hahahaha. Como eu disse, que não tem noção não tem noção MESMO. Imagina se eu ia deixar você ir, néam? Eu vou é te dar umas palmadas pra você aparecer mais! :)

                          • Em 11 de May de 2007 20:43, Fer Guimaraes Rosa disse:

                            no telefone funciona muito bem tambem. eh uma maneira de encerrar um conversê mole com eficiencia. acho o fino da bossa e uso sempre que posso. ja os chatos, esses nem merecem o let you go. eh peh na bunda mesmo! :-)