Outra história de sucesso!

Depois de publicada a história da Fer abaixo, outros leitores e leitoras do blog se animaram a mandar suas histórias de sucesso. Quando estamos na fila, ou mesmo antes disso, ainda pensando em adotar, as histórias de sucesso são muito importantes para desmistificar e ajudar a conter a ansiedade. Por isso, de hoje em diante vou publicar as histórias de sucesso de adoção dos leitores do blog. Quem quiser ter sua história publicada, basta mandar um email clicando no link do Contato. :)

 

Abaixo, a história da Fabiane:

 

“Paula,

 

Finalmente aprovaram o Cadastro Nacional de Adoção! Pena que levará muito tempo até ser implantado.

 

Por este motivo, segue minha história…

 

Moramos no Rio Grande do Sul, sou casada e até 2004 tinha dois filhos biológicos, como nós queríamos aumentar a família pensamos em adotar um bebê. Mas para nossa surpresa descobrimos que estava grávida. Toda a gravidez  foi perfeita e tranqüila  até o 5º mês quando entrei em trabalho de parto.

Foi feito cesárea com urgência e a Júlia nasceu perfeitinha com 30 centímetros e 620 gramas, sobreviveu apenas 7 dias. A tristeza tomou conta de tudo e de todos, mas superamos.

Em março/2005 nos inscrevemos para habilitação a adoção e até hoje maio/2009, ainda não nos chamaram.

Neste meio tempo achei que deveria fazer alguma coisa, pois tudo o que queríamos era nossa criança.

Em Julho/2007 fui ao Fórum na minha cidade e pedi cópia autenticada de todo o meu processo de habilitação a adoção.

Com ele em mãos, enviei à 5 estados do Brasil, que aceitavam a documentação por correio.

Para nossa felicidade em Janeiro/2008 nos chamaram para conhecer uma menina de 4 anos em Mato Grosso. Feliz da vida, viajamos mais de 2000 Km (dois mil quilômetros), quando chegamos lá a A. nos rejeitou de uma forma que jamais tínhamos imaginado. Tentamos de todas as formas nos aproximarmos dela e não tivemos sucesso, um amiguinho dela é que não saía de perto de nós, mas estamos tão focados em agrada-la que quase não observávamos as outras crianças. Chorei, sofri tanto quanto a perda da minha filhinha em 2004.

Ao falar com a assistente social para avisarmos que voltaríamos ao nosso Estado, meu marido perguntou se poderíamos tentar com outra criança. Ela nos disse que de 50 crianças abrigadas apenas duas estavam aptas a adoção.  ESSA É A REALIDADE DO NOSSO PAÍS!!!

Mais uma vez fomos surpreendidos, porque além da menina A. , a outra criança era o

amiguinho de 3 anos que estava sempre conosco até nos momentos difíceis que passamos lá…

Após passarmos por todos os trâmites legais, há um ano e dois meses temos nosso filho tão esperado e tão amado.

 

Beijos

 

Fabiane

 

P.S.: Continuamos inscritos para adoção no Rio Grande do Sul.”

Posted on May 14th, 2009 by Paula Abreu  |  3 Comments »

Adoção consensual

Recebemos muitos comentários e emails perguntando sobre a adoção consensual (quando a mãe quer entregar o bebê a um casal específico). Não é o que estamos buscando, já que não fazemos questão de recém-nascido, mas quem quiser maiores informações sobre esse tipo de adoção pode encontrar aqui e aqui.

Posted on March 21st, 2008 by Paula Abreu  |  7 Comments »

Perguntas e respostas

A Zel fez algumas perguntas que eu acho ótimas e respondo sem o menor problema:

Por que adotar antes de ter filhos biológicos? Resp: Bem, no nosso caso, não fazemos diferença entre filho biológico e adotado, entao por que a ordem faria diferença? Nunca sequer consegui entender por que é tão importante para algumas pessoas ter o biológico antes do adotado. Afinal, não são todos filhos?

Vocês vão praticar algo como “licença-(p)maternidade” nos primeiros meses? Resp: Como alguém já esclareceu nos comentários, a mãe adotiva também tem direito a licença, pela lei brasileira. O período varia de acordo com a idade da criança, então como ainda não sabemos a idade do nosso filho, não sei quanto tempo vou ter de licença, mas certamente vou querer estar muito por perto nos primeiros meses, pois a adaptação é intensa (de parte a parte).

A vida de vocês vai mudar em função da adoção (especialmente a sua, que trabalha muito)? Resp: A vida de qualquer um que tenha filhos, sejam adotados ou biológicos, muda muito (acho eu). No meu caso específico que, como a Zel mencionou, trabalho muito, tenho um plano de almoçar em casa com os filhos, já que o jantar é quase caso perdido. De resto, acho que vamos fazer como toda família: tentar o melhor equilíbrio possível.

Existe algo como um período de adaptação? Como fazer a criança já grandinha se integrar à família? Resp: Sim, existe um período de adaptação na adoção, da mesma forma que existe um período de adaptação quando nasce um bebê (noites sem sono, mamadas, banhos, troca de fraldas, etc.). São adaptações diferentes, claro. A da adoção depende muito da idade da criança e das circunstâncias que a levaram a estar em um abrigo (maus tratos, abandono, abuso, etc.). Ou seja, cada caso é um caso. Tenho me preparado lendo tudo o que posso. O melhor livro que li em NY e trouxe comigo se chama Raising Adopted Children, da Lois Melina. Tira a maioria esmagadora das dúvidas de um candidato à adoção.

Bem, acho que é isso. Como toda paternidade/maternidade, por mais que se leia, pesquise, participe de listas de discussão e etc., as dúvidas são muitas e nunca serão totalmente sanadas. Não adianta fantasiar e achar que dá para estar 100% preparado para ser pai ou mãe. Isso, só a prática ensina.

Paula

Posted on January 14th, 2008 by Paula Abreu  |  59 Comments »

A opressão do Estado

Hoje fomos ao Fórum. Algumas pessoas que nos atenderam foram gentis. Outras, nem tanto. O Estado é opressor. Sentado na salinha, evoquei todos os deuses da liberdade.

Entendo que a burocracia é necessária. Mas há um momento em que o Estado se personifica. E, por alguma razão, a personificação do Estado me parece sempre monstruosa.

Haverá outras visitas. Só espero que o Leviatã não me engula.

Paulo Polzonoff Jr.

Posted on January 11th, 2008 by admin  |  6 Comments »

Medo, pavor

Se eu tenho medo de ser pai? De jeito nenhum. A única coisa que me mete medo, pavor mesmo, nesta história de adoção, é a burocracia. Embora enxergue um propósito na papelada toda (afinal, “eles precisam saber quem a gente é”, como bem argumentou a Paula), a pilha de documentos e atestados me fazem pensar em O Processo, de Kafka. Mais do que uma poluição literária, esta lembrança é reflexo de um pavor natural da burocracia, da força que o Estado, o Leviatã, tem de se intrometer em nossas vidas.

De qualquer forma, fica aqui a lista dos documentos necessários para se começar o processo de adoação:

- Requerimento inicial (fornecido pelo Juizado da Infância e da Juventude ou fórum);
- Certidão de casamento ou prova de união estável dos candidatos, conforme sejam casados ou companheiros;
- Certidão de nascimento para os solteiros (mesmo os incluídos na condição final do item anterior);
- Comprovante de residência;
- Comprovante de rendimentos;
- Atestado médico de sanidade física e mental por médico particular ou da rede oficial de saúde;
- Carteira de identidade;
- CPF (Cadastro Pessoa Física) e Certidão negativa dos distribuidores cíveis e criminais, do foro de seu domicílio.
- Outros documentos, a critério do interessado, comprobatórios de sua aptidão para adotar.

Paulo Polzonoff Jr

Posted on January 9th, 2008 by admin  |  4 Comments »

O outro lado da moeda

Se, como o Paulo muito bem disse, grande parte das pessoas não pensa duas vezes antes de fazer comentários desencorajadores, preconceituosos ou simplesmente inapropriados, há também muitas pessoas maravilhosas que oferecem apoio, informação e dicas.

 No domingo, passei o dia quase todo lendo mensagens em três comunidades do Orkut super especiais: a Adoção, um exemplo de amor, a Amigos do Coração/Família e a Adoção Especial. Lá, descobri uma porção de pais ou futuros pais na mesma situação que nós, que podem ter filhos biológicos mas optaram pela adoção (ou ambas as coisas) e que optaram por adotar crianças mais velhas (a chamada “adoção tardia”).

Foi reconfortante encontrar tanta gente sem preconceitos e bem informada, ver tantas famílias maravilhosas formadas pela adoção e dividindo sua experiência com outras futuras famílias. Espero que escrevendo sobre nossa experiência nesse blog nós também possamos ajudar a desmistificar um pouco a adoção (e a adoção tardia), dividir informação e, quem sabe, incentivar outros pais pelo Brasil afora que tenham o mesmo desejo que nós: formar uma família especial.

Paula

Posted on January 8th, 2008 by Paula Abreu  |  7 Comments »

A reação dos outros

Quando você torna pública sua opção pela adoção, é incrível como todo mundo resolve dar pitaco. E, quase sempre, o conselho é desencorajador. Há algum tempo estamos falando às pessoas que pretendemos adotar uma criança. Eu já perdi a conta de quantas vezes escutei histórias horríveis sobre crianças adotadas que se tornaram verdadeiros monstros.

Curioso: isto não acontece quando uma mulher está grávida. Ela exibe o barrigão e todos têm ótimos prognósticos sobre tudo, do parto à faculdade do ser que está por vir. Mas, como se sabe, a realidade não é esta.

Seria espírito de porco de minha parte, mas bem que dá vontade de retrucar às pessoas que têm sempre uma história má na mão todas as agruras do parto. A dor. A angústia do homem. Os fluídos e melecas. A deformação do corpo.

Não que eu ache tudo isto ruim. Não. Ter um filho faz parte da vida. E todas as coisas ruins da gravidez se tornam imediatamente coisas boas quando se pensa que, no futuro, há um ser novo em folha: seu filho ou filha.

As pessoas deveriam entender que, em se tratando de adoção, é a mesmíssima coisa. Haverá problemas, claro. Tudo bem, é possível que não haja melecas. Por outro lado, há toda uma cansativa burocracia. Mesmo assim, os percalços são bem menos difíceis quando se pensa no que nos aguarda no fim do túnel: um filho ou filha.

Paulo Polzonoff Jr

Posted on January 7th, 2008 by Paulo Polzonoff Jr.  |  7 Comments »