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Perguntas e respostas

A Zel fez algumas perguntas que eu acho ótimas e respondo sem o menor problema:

Por que adotar antes de ter filhos biológicos? Resp: Bem, no nosso caso, não fazemos diferença entre filho biológico e adotado, entao por que a ordem faria diferença? Nunca sequer consegui entender por que é tão importante para algumas pessoas ter o biológico antes do adotado. Afinal, não são todos filhos?

Vocês vão praticar algo como “licença-(p)maternidade” nos primeiros meses? Resp: Como alguém já esclareceu nos comentários, a mãe adotiva também tem direito a licença, pela lei brasileira. O período varia de acordo com a idade da criança, então como ainda não sabemos a idade do nosso filho, não sei quanto tempo vou ter de licença, mas certamente vou querer estar muito por perto nos primeiros meses, pois a adaptação é intensa (de parte a parte).

A vida de vocês vai mudar em função da adoção (especialmente a sua, que trabalha muito)? Resp: A vida de qualquer um que tenha filhos, sejam adotados ou biológicos, muda muito (acho eu). No meu caso específico que, como a Zel mencionou, trabalho muito, tenho um plano de almoçar em casa com os filhos, já que o jantar é quase caso perdido. De resto, acho que vamos fazer como toda família: tentar o melhor equilíbrio possível.

Existe algo como um período de adaptação? Como fazer a criança já grandinha se integrar à família? Resp: Sim, existe um período de adaptação na adoção, da mesma forma que existe um período de adaptação quando nasce um bebê (noites sem sono, mamadas, banhos, troca de fraldas, etc.). São adaptações diferentes, claro. A da adoção depende muito da idade da criança e das circunstâncias que a levaram a estar em um abrigo (maus tratos, abandono, abuso, etc.). Ou seja, cada caso é um caso. Tenho me preparado lendo tudo o que posso. O melhor livro que li em NY e trouxe comigo se chama Raising Adopted Children, da Lois Melina. Tira a maioria esmagadora das dúvidas de um candidato à adoção.

Bem, acho que é isso. Como toda paternidade/maternidade, por mais que se leia, pesquise, participe de listas de discussão e etc., as dúvidas são muitas e nunca serão totalmente sanadas. Não adianta fantasiar e achar que dá para estar 100% preparado para ser pai ou mãe. Isso, só a prática ensina.

Paula

Posted on January 14th, 2008 by Paula Abreu  |  63 Comments »

A opressão do Estado

Hoje fomos ao Fórum. Algumas pessoas que nos atenderam foram gentis. Outras, nem tanto. O Estado é opressor. Sentado na salinha, evoquei todos os deuses da liberdade.

Entendo que a burocracia é necessária. Mas há um momento em que o Estado se personifica. E, por alguma razão, a personificação do Estado me parece sempre monstruosa.

Haverá outras visitas. Só espero que o Leviatã não me engula.

Paulo Polzonoff Jr.

Posted on January 11th, 2008 by admin  |  6 Comments »

uma solidão diferente

Eu não me importo tanto com a burocracia do processo de adoção pois, como sempre digo ao Paulo, eles precisam saber quem somos. No fim das contas, se você olhar com cuidado, os documentos servem apenas para comprovar que você é uma pessoa idônea, com uma renda que comporte ter um filho, com a cabeça no lugar e com uma família minimamente estruturada para receber uma criança. É o mínimo que o Estado pode fazer para cumprir as regras do ECA e pelo menos tentar garantir às crianças os direitos delas.

O que tem sido estranho, para mim, é essa gravidez tão atípica. Primeiro, porque não tem aquela coisa de contar pras amigas, receber parabéns, ganhar sapatinhos de presente, chá de bebê, essas coisas que toda mãe de primeira viagem sonha. Eu estou grávida mas é só na minha cabeça, dentro do meu mundinho. E mesmo as amigas mais chegadas, que dão parabéns, não se sentem à vontade o suficiente para fazer perguntas. Descobri que a adoção, em especial a tardia, envolve tantos mitos que as pessoas queridas preferem não dizer nada, provavelmente por medo de dizer besteira.

Segundo porque, mesmo dentro do meu mundinho, não posso - pelo menos por enquanto - curtir a “gravidez” como curtiria se tivesse um bebê crescendo dentro de mim. Se fosse este o caso, eu saberia que daqui a exatos 9 meses, talvez um pouco menos, eu teria um bebê recém-nascido em casa, cujo sexo eu saberia depois do terceiro ou quarto mês. Com base nessa informação, eu poderia decorar o quartinho, comprar roupinhas, brinquedos, etc.

No meu caso, contudo, sem saber quando chega o filho, se é menino ou menina, qual é a idade exata, quais são os gostos, etc., nada disso é possível. No outro dia pensei numa coisa que posso comprar: cds! Para cds de música clássica, historinhas, etc., não tem idade. Então, por enquanto, é a única coisa que penso que posso comprar para o “enxolval” do meu pingo de gente.

E vou seguindo nessa minha solidão diferente.

Posted on January 10th, 2008 by Paula Abreu  |  12 Comments »

Medo, pavor

Se eu tenho medo de ser pai? De jeito nenhum. A única coisa que me mete medo, pavor mesmo, nesta história de adoção, é a burocracia. Embora enxergue um propósito na papelada toda (afinal, “eles precisam saber quem a gente é”, como bem argumentou a Paula), a pilha de documentos e atestados me fazem pensar em O Processo, de Kafka. Mais do que uma poluição literária, esta lembrança é reflexo de um pavor natural da burocracia, da força que o Estado, o Leviatã, tem de se intrometer em nossas vidas.

De qualquer forma, fica aqui a lista dos documentos necessários para se começar o processo de adoação:

- Requerimento inicial (fornecido pelo Juizado da Infância e da Juventude ou fórum);
- Certidão de casamento ou prova de união estável dos candidatos, conforme sejam casados ou companheiros;
- Certidão de nascimento para os solteiros (mesmo os incluídos na condição final do item anterior);
- Comprovante de residência;
- Comprovante de rendimentos;
- Atestado médico de sanidade física e mental por médico particular ou da rede oficial de saúde;
- Carteira de identidade;
- CPF (Cadastro Pessoa Física) e Certidão negativa dos distribuidores cíveis e criminais, do foro de seu domicílio.
- Outros documentos, a critério do interessado, comprobatórios de sua aptidão para adotar.

Paulo Polzonoff Jr

Posted on January 9th, 2008 by admin  |  4 Comments »

O outro lado da moeda

Se, como o Paulo muito bem disse, grande parte das pessoas não pensa duas vezes antes de fazer comentários desencorajadores, preconceituosos ou simplesmente inapropriados, há também muitas pessoas maravilhosas que oferecem apoio, informação e dicas.

 No domingo, passei o dia quase todo lendo mensagens em três comunidades do Orkut super especiais: a Adoção, um exemplo de amor, a Amigos do Coração/Família e a Adoção Especial. Lá, descobri uma porção de pais ou futuros pais na mesma situação que nós, que podem ter filhos biológicos mas optaram pela adoção (ou ambas as coisas) e que optaram por adotar crianças mais velhas (a chamada “adoção tardia”).

Foi reconfortante encontrar tanta gente sem preconceitos e bem informada, ver tantas famílias maravilhosas formadas pela adoção e dividindo sua experiência com outras futuras famílias. Espero que escrevendo sobre nossa experiência nesse blog nós também possamos ajudar a desmistificar um pouco a adoção (e a adoção tardia), dividir informação e, quem sabe, incentivar outros pais pelo Brasil afora que tenham o mesmo desejo que nós: formar uma família especial.

Paula

Posted on January 8th, 2008 by Paula Abreu  |  7 Comments »

A reação dos outros

Quando você torna pública sua opção pela adoção, é incrível como todo mundo resolve dar pitaco. E, quase sempre, o conselho é desencorajador. Há algum tempo estamos falando às pessoas que pretendemos adotar uma criança. Eu já perdi a conta de quantas vezes escutei histórias horríveis sobre crianças adotadas que se tornaram verdadeiros monstros.

Curioso: isto não acontece quando uma mulher está grávida. Ela exibe o barrigão e todos têm ótimos prognósticos sobre tudo, do parto à faculdade do ser que está por vir. Mas, como se sabe, a realidade não é esta.

Seria espírito de porco de minha parte, mas bem que dá vontade de retrucar às pessoas que têm sempre uma história má na mão todas as agruras do parto. A dor. A angústia do homem. Os fluídos e melecas. A deformação do corpo.

Não que eu ache tudo isto ruim. Não. Ter um filho faz parte da vida. E todas as coisas ruins da gravidez se tornam imediatamente coisas boas quando se pensa que, no futuro, há um ser novo em folha: seu filho ou filha.

As pessoas deveriam entender que, em se tratando de adoção, é a mesmíssima coisa. Haverá problemas, claro. Tudo bem, é possível que não haja melecas. Por outro lado, há toda uma cansativa burocracia. Mesmo assim, os percalços são bem menos difíceis quando se pensa no que nos aguarda no fim do túnel: um filho ou filha.

Paulo Polzonoff Jr

Posted on January 7th, 2008 by Paulo Polzonoff Jr.  |  7 Comments »

Estréia amanhã, dia 7 de janeiro

Estréia amanhã, dia 7 de janeiro

Posted on January 6th, 2008 by admin  |  Comments Off