Como tudo aconteceu

Eu estava calmamente trabalhando quando, às 14h, a Assistente Social (AS) ligou do Fórum. Achei que ela queria falar sobre o Cadastro Único, mas ela queria saber se tínhamos interesse em ir ao Fórum ver o processo de um menino de menos de um mês.

“Menos de um ano!?”, perguntei espantada.

“Não, menos de um mês.”

Como nosso perfil era de 2 crianças de até 6 anos de idade, achei estranho. Mas, como aceitávamos doenças tratáveis, imaginei que o bebê poderia ter algum problema e ter sido rejeitado por outras pessoas na fila.

“Ele já fez todos os testes de saúde, inclusive neurológicos, e é saudável”, a AS dissse.

Saí correndo do trabalho — meu chefe pensou que eu estava com dor de barriga…e estava! –, peguei o Paulo em casa e lá fomos para o Fórum. Lemos atentamente todo o processo do bebê, e a AS nos informou que um motoboy estava a caminho do Fórum com uma foto.

“Queremos ir no abrigo”, dissemos, e a AS riu espantada: “Vocês não querem nem ver a foto?” Não era necessário. Naquele momento, já sabíamos que era o nosso filho.

Enquanto a AS preparava a autorização de visita e desabrigamento, a foto chegou e ficamos ainda mais apaixonados. O bebê era, além de tudo, lindo.

Deixamos o carro em casa e pegamos um táxi para o abrigo. Primeiro porque somos perdidos em SP, nosso GPS estava sem bateria e o abrigo era num quebradão qualquer que desconhecíamos. Segundo porque não havia a menor possibilidade de nenhum dos dois dirigir, tamanho era nosso nervoso.

Chegamos lá e esperamos que trouxessem o bebê, enquanto conversávamos com as funcionárias uniformizadas. O abrigo era limpo, pintadinho, bem cuidado, e as funcionárias eram todas simpáticas. Tudo parecia um sonho — e era!

Nosso filho chegou, embrulhado numa manta peludinha, e era tão tão tão pequenininho que tomamos um susto. Um susto bom, claro, como todos naquele dia. As funcionárias saíram da sala para nos deixar à vontade para “conversar”, mas não era preciso conversar sobre nada. Só queríamos saber o que precisávamos fazer para levar o nosso filho pra casa, imediatamente.

Ligamos para a AS, que nos deu instruções, e em menos de meia hora saímos do abrigo com o Davi, nosso filho, com a roupa do corpo. Em casa, nada esperava por ele além do nosso amor. Nenhum enxoval, nenhum berço, mamadeira, fraldas, nada nada nada. E nada disso importava.

Às 14h recebemos a ligação da AS. Às 17h estávamos em casa com o Davi. Em três horas, passamos por nove meses de gravidez, trabalho de parto e alta.

Depois de uma correria para comprar mamadeira, fraldas e leite, recebemos a visita da Nacráudia — e do Guilherme, dentro dela –, com roupinhas e presentes pro Davi, do amiguinho que ainda nem nasceu. Outras amigas mães me davam dicas pelo telefone do que eu precisaria comprar no dia seguinte.

O tempo todo, olhávamos para ele e não acreditávamos que era nosso (essa sensação, aliás, durou vários dias…ainda tem horas que volta!). Na sua primeira noite, Davi dormiu num futton, e eu sentada do lado dele, olhando, incrédula, perdidamente apaixonada, eternamente agradecida a Deus, ao Universo, a tudo o que nos colocou juntos nessa vida.

E no momento em que o meu filho segurou minha mão pela primeira vez, toda a minha fé, a fé de uma vida toda, fez sentido.

Continue lendo      46 Comentários »

Nosso filho chegou!!!

Volto para dar mais detalhes, mas nesta terça-feira chegou nosso filho, Davi, com apenas 20 dias de vida! Ele é lindo e tranquilo e estamos MUITO MUITO MUITO felizes!

Agreadecemos a todos pela torcida. E, às mamães que ainda estão esperando seus filhos, acreditem: cada segundo da espera e cada dificuldade vale à pena!

Leia mais      20 Comentários »

Enfim, habilitados!

Amigos queridos, reais e virtuais: estamos habilitados!

Depois da nossa entrevista, em 10 de junho, a psicóloga e assistente social quase nos mataram de ansiedade e demoraram 45 dias para preparar o laudo técnico. E vocês lembram que, no dia da entrevista, nos disseram que o laudo, o parecer do MP E a sentença do juiz demorariam entre 45 e 60 dias.

Entramos em semi-pânico com a demora do laudo. Meu estagiário ia semanalmente à VIJI e nada de novidades. Liguei uma primeira vez e tive uma longa conversa com a psicóloga (essa vale um outro post, inclusive, pelo teor das informações que recebi…), depois liguei de novo e conversei com uma assistente social aleatória, depois numa terceira ligação conversei com a nossa assistente social.

Depois de muito encher o saco da equipe técnica — e aprender que encher o saco e se fazer presente é MUITO importante no processo de habilitação — nosso laudo ficou pronto. Mais uma vez, o estagiário foi à VIJI e conversou com a Promotora, que avisou que já tinha lido tudo e ia dar parecer favorável. Mais uma vitória, agora só faltava a sentença.

Como demos muita sorte em pegar um juiz maravilhoso, o Dr. Iassin (vindo de Santo André, o último caso dele por lá foi o do Celso Daniel, vejam só que mudança de ares!), nossa sentença saiu em poucos dias: habilitados!

Assim, no dia 28 de julho de 2008, passamos a integrar a famigerada “fila” de habilitados à adoção, o que significa que agora basta esperar essa gravidez que não tem prazo certo para acabar.

Leia mais      9 Comentários »

Update rápido

Pessoal, nossa entrevista com a psicóloga da Vara da Infância, semana passada, foi ótima. Temos agora uma entrevista rápida com a Assistente Social, essa sexta. A partir de então, haverá a manifestação do Ministério Público e a sentença do juiz. Segundo fomos informados, deve demorar mais ou menos uns 60 dias para estarmos habilitados. Yay!

Leia mais      10 Comentários »

Reta final

Ficamos um tempo sem dar notícias por um motivo simples: não havia nada acontecendo a não ser a espera. Nesse meio-tempo, muitas pessoas surgiram por aqui, deixaram comentários, mandaram mensagens, e aproveitei o tempo para responder a todos, fazer novas amizades e me emocionar com a história de outras famílias.

Agora, estamos chegando na reta final da nossa habilitação: nossa entrevista será semana que vem. Depois de toda ansiedade do início do processo, estamos tranquilos. A sensação de estar cada dia mais perto dos nossos pequenos tomou meu coração aos poucos e agora não tenho mais espaço para ansiedade, só para a espera muito amorosa.

Sem preparativos, sem compras, sem decoração de quartinho, porque não sabemos ainda quem serão os pequenos. Mas com muitos sonhos, muitos planos, e muito carinho guardado para quando eles chegarem.

Torçam e rezem por nós para que dê tudo certo na semana que vem. Logo logo voltamos para dar notícias.

Beijos a todos que estão na torcida ou que estão na mesma espera,

Paula

Leia mais      11 Comentários »

Adoção consensual

Recebemos muitos comentários e emails perguntando sobre a adoção consensual (quando a mãe quer entregar o bebê a um casal específico). Não é o que estamos buscando, já que não fazemos questão de recém-nascido, mas quem quiser maiores informações sobre esse tipo de adoção pode encontrar aqui e aqui.

Leia mais      7 Comentários »

Matéria sobre adoção

Assisti hoje a uma matéria sobre adoção que achei bem completa, falando sobre os aspectos legais, a vida no abrigo, adoção tardia, inter-racial, por mãe solteira, etc. Para assistir, basta entrar no site da Rede Record, colocar “adoção” no campo de busca e, nos resultados, clicar na matéria “Tudo sobre adoção”.

Como sempre que vejo uma matéria sobre adoção, me emocionei muito e fiquei pensando nos nossos pequenos, que logo logo estarão conosco.

Paula 

Leia mais      6 Comentários »

Grupos de apoio à adoção

Quando fomos ao Fórum dar entrada no nosso processo, recebemos da psicóloga o contato de dois grupos de apoio na nossa região: o Projeto Acolher ( tels: (11) 9766-3091 ou (11) 5103-2841) e o GAASP (tel: (11) 6994-2103, falar com Regina). Estes e outros grupos de apoio espalhados por SP e pelo Brasil oferecem reuniões mensais em que se discutem temas variados sobre adoção (ex: adoção tardia, grupos de irmãos, preconceitos, mitos, etc.) e a psicóloga da nossa comarca recomendou fortemente que participemos de todas as reuniões que pudermos durante nossa gravidez do coração.

Caso haja alguma leitora ou leitor desse blog que mora em SP, nós estaremos na reunião do dia 2/3 do GAASP e vai ser um prazer encontrá-los por lá!

Paula

Leia mais      11 Comentários »

Aos poucos…

…enquanto esperamos, vamos começando a nos permitir sonhar. O primeiro passo foi arrancar das paredes do quartinho dos pequenos duas prateleiras enormes e desengonçadas que já estavam no apartamento quando chegamos. As prateleiras se foram, ajeitamos as paredes com gesso para esperarem o banho de tinta. Que vai ser o segundo passo. Estamos decididos por uma cor neutra, assim não precisamos esperar saber o sexo dos pequenos. Até porque pode ser um casal.

Por enquanto, é só. Pequenos passinhos. Aos poucos, os pequenos vão ficando mais perto de nós. Enquanto eles não chegam, rezo todas as noites para que estejam bem onde estiverem.

Paula

Leia mais      12 Comentários »

A dolorosa espera

Este espaço anda em silêncio. Não é por mal. Temos muito o que falar. Mas me parece que semana passada fomos atacados por certa dor da espera. Demos entrada, finalmente, no processo. Agora, não há muito o que fazer, a não ser esperar que as certidões sejam emitidas e as entrevistas marcadas. O tempo ao Estado pertence.

Muita gente tem me perguntado a respeito da “escolha” da criança. Ir ao abrigo ou esperar pela ligacão de um assistente social?

Particularmente, prefiro esperar, por mais que a espera seja cansativa e dolorosa. O motivo é simples: acredito que as coisas certas acontecem no tempo certo. Sei que isso soa esotérico demais, mas eu realmente acredito nisso. Não vou sair feito um louco à procura de uma criança. Na adoção, também há um período de gestação. E ao menos para isso toda a burocracia serve: para nos acalmar um pouco.

Paulo Polzonoff Jr

Leia mais      22 Comentários »