Eu mereço?
Mesa do café da manhã, Paulo gripado e rouco olha pra mim e canta com a recém-adquirida voz grossa de locutor de rádio:
I’m…to sexy for my love, too sexy for my love, too sexy it hurts!
Mesa do café da manhã, Paulo gripado e rouco olha pra mim e canta com a recém-adquirida voz grossa de locutor de rádio:
I’m…to sexy for my love, too sexy for my love, too sexy it hurts!
Então que logo que eu cheguei em SP eu arrumei um terapeuta coroa gaiteiro que parecia o Hannibal e andava de moto (!) com aquelas xucas franjudas penduradas no guidão (!!!!!!).
Calma. Não me crucifiquem. Naquele tempo, eu estava absolutamente desesperada por um terapeuta. Porque, antes do Xuca, eu tinha ido numa terapeuta que se referia a si mesma na terceira pessoa (mointo medo) como “a Profissional Márcia”. E como numa terapia, a minha expectativa é de que a louca seja EU, não rolou.
Corta para o Xuca. Que, em comparação com a Profissional Márcia, era visivelmente FULEIRO, mas limpinho. A terapia era divertida, porque ele super se achava o herdeiro intelectual de Freud e falava palavras “”"difíceis”"” como resiliência e, depois me perguntava, todo pimpão: “Você conhece essa palavra?”
Oh, claro que não, muito obrigada por me ensinar tantas coisas belas!
Fora que, sessão sim, sessão não, ele comentava empolgado sobre “aquele filme que fala sobre a decadência da família classe média americana, em que o pai se apaixona pela amiga da filha adolescente, chama ‘Uma Família Americana’ (sic), já viu?”
RÁ RÁ.
Mas, depois de um ano e meio de muita diversão e muitos risos abafados, o Xuca um belo dia atropelou um motoboy e faltou. E na semana seguinte ele emendou um feriado e esqueceu de me avisar e faltou. E na terceira semana seguida ele ficou gripado, tomou um naldecon noite, perdeu a hora e faltou de novo.
Aí eu dei um BASTA e desapareci, porque só o meu pai pode me rejeitar assim, poha. Não um coroa careca motoqueiro de xuca no guidão.
E aí chegamos no meu noooovo terapeuta, que para infelicidade deste blog não é um gerador automático de piadas como os anteriores. E o Sr. Novo Terapeuta fabrica florais com os quais ele me medica ao final de cada sessão, sendo que eu tomo apenas aqueles que eu mesma sorteio.
Daí ontem, depois de uma divertida sessão em que dissecamos sonhos em que eu dava porrada numa loira, namorava um paraplégico (e me perguntava se o pinto dele funcionaria na hora agá, porque eu super filosófo nos meus sonhos), e chorava descontroladamente porque uma senhora com um labrador não me emprestava o celular pra eu ligar pro Paulo, tirei um floral para conter a minha agressividade.
Ué, aguissivu? Eu?
Cheguei em casa toda feliz, já dando as boas novas pro Paulo:
“Se deu bem, tomei um floral hoje que vou ficar bonzinho a semana toda!”
Ele fez cara de desconfiado. Nem liguei e fui andando pro quarto. No corredor, pulei até o teto com o estouro de foguetes por causa do Curintia ou algo assim.
“POOOOTAQUEOPAREO!”, gritei. “SERENITY NOOOOOW!”
Daí tava falando sobre terapias com a minha amiga Cleo, que me ajudou num clássico diálogo deste blog a descobrir que o banho quente é o ópio do povo.
[Paula]: Seria bom se você fizesse terapia, amiga.
[Cleo]: Só de pensar no tempo e no dinheiro que vou gastar eu já estou me sentindo curada.
[Paula]: Não, sério, amiga. Terapia é importante.
[Cleo]: Olha. Vou citar pra você a nossa amiga Penélope, que muito bem define essa questão: “Os problemas de toda e qualquer mulher se resumem a uma coisa apenas: não estar magra. Se você está magra, todos os seus outros problemas se resolvem sozinhos.”
…
[Cleo]: E amiga, você tá magra, né. Então num fode.
[Paula]: Então. Eu tô magra mas eu tô flácida, então acho que não conta.
[Cleo]: Hum, pode ser. Em vez de estar magra, digamos que a melhor teoria seria de você estar magra e com a sua melhor forma.
[Paula]: É, aí faz sentido. Nunca fui tão feliz quanto na época em que eu era boua, amiga!
[Cleo]: Viu?
Então que semana que vem eu vou contar pro meu terapeuta que vou trocar ele por uma sessão semanal de drenagem linfática, que inclusive super é mais em conta.
O povo pergunta. Daí que fizemos o segundo fondí, dessa vez um oferecimento da minha garota Nacráudia, que foi ao supermercado e comprou absolutamente tudo que podia ser frito.
Cheguei em casa do satsang e encontrei a nega sacudindo um saquinho de linguiça no ar, feliz da vida com o fato de sermos zero saudáveis (depois tomaremos leite becel, comeremos aveia e beberemos chá de berinjela pra baixar o colesterol).
Aliás. Pausa pra contar pra vocês que recentemente fiz meu check up anual no Fleury (ascendente em Virgem é assim, AMA fazer check up anual com cinco páginas de pedidos de exames). O último tinha sido no dia internacional da mulher no ano passado, quando ganhei uma bolsinha fuleira por acordar às 6 da manhã e fui chamada de sedentária pelo médico de plantão, lembram?
Vai daí que se você faz os exames sempre no Fleury, rola um grafiquinho com a evolução dos resultados, coisa pra enlouquecer qualquer hipocondríaco (eu? imagina).
Então vou dividir com vocês que tudo meu melhorou esse ano (exceto o teste ergométrico, que eu fui sagaz o suficiente para FALTAR, ririri). E tudo isso pra dizer que meu colesterol, que antes de morar em NYC estava em quase 300, agora está classificado como SUB-ÓTIMO.
Tipos. Eu sou sagitariana e super competitiva e detesto qualquer coisa que seja sub. Normalmente, não trabalhamos com sub-ótimo. Mas. Em se tratando do meu colesterol, que é alto por fatores genéticos (obrigada, vó!), sub-ótimo já é um pequeno milagre.
Fecha parêntese pra gente se jogar no fondí.
Olha. Fritamos carne. Fritamos linguiça. Fritamos chicken popcorn (que mesmo depois de ver o Jamie Oliver mostrar do que é feito um nugget eu NÃO PERCO A CORAGEM! JAMAIS desistirei de você, meu nugget querido!). Leandro cozinhou frango no fondí de queijo derretido, desafiando os poderes da salmonela, e sobreviveu. Nacráudia “molhou” carne em tomate seco, desafiando as leis da gravidade, e sobreviveu.
E eu, minha gente. Eu desafiei as leis da anatomia e da pouca vergonha, confrontei meu fígado…e SOBREVIVI. Como já dizia Xuxa, tudo pode ser, se quiser será, e eu sonhei que mesmo sem fígado podia comer fondí duas vezes num mês e viver, e assim foi.
Tudo bem que abri mão do vinho, mas isso me permitiu vencer a partida de Academia pós-fondi, enquanto os demais participantes falavam em miLcroondas e criavam definições como “feno, alfafa” (dignas da Mariana Godoy, do Bom dia São Paulo, mas isso fica pra outro post).
Ah, fica nada, vamo aproveitar que já tamo aqui. Cara. O que é a Mariana Godoy, gente? Enquanto eu me limito a façanhas como comer dois fondís num mesmo mês, Mariana Godoy tem a corági de, no mesmo mês, falar de Admirável Mundo Novo, aquele livro ótimo sobre o Grande Irmão/Big Brother (!) e (HOJE, HEIN?!) falar do microscópio superpotente que consegue ver até os ÁTOMOS das placas de metal do avião da Air France (ALOKA!).
Tipo que se fosse a Renata Vasconcelos burrando na minha manhã de terça eu super permitia, porque a Renata é a Renata, néa?

Eu posso porque eu sou bunita, tá?
Enfim. Esse post ficou tão longo que já me perdi, só queria dizer “Casa comigo, Renata?” e encerrar por aqui. Beijoxau.
Há quase um ano, quando adotamos nosso filho, várias pessoas questionaram ou reclamaram que não colocamos fotos dele nos nossos blogs, nem mesmo no de adoção.
O fato é que, logo que você recebe a criança que irá adotar, você tem apenas a guarda provisória e, somente depois da entrevista de adaptação, parecer da equipe técnica e sentença do juiz é que se concretiza a adoção, que é definitiva e irrevogável. Antes disso, a gente preferiu não expôr o Davi, nem a nós mesmos, para evitar qualquer tipo de problema.
Mas eis que a adoção saiu em dezembro, um dia depois do nosso aniversário (que é no mesmo dia, para quem não sabe) e nosso pretinho russo virou nosso para todo o sempre. E daí a alegria foi tanta que acabamos esquecendo de colocar fotos! Então, com vocês, o nosso Davi:

1 - Um filme que tem. New York. Pink. Música. Fashion. Audrey. Fred Astaire. Música. Dança. Paris. Como ninguém tinha me FORÇADO a ver isso antes? Funny Face (Cinderela em Paris). Comendo pipoca doce-salgada fica ainda mais gostoso.

Fica a dica.
2 - Hoje teremos fondí. (música do Tubarão…tarãn…tarãn…tarãn tarãn tarãn…). Inovaremos com uma terceira panelinha de chicken popcorn. Porque se é pra se jogar na fritura, a gente se joga dicumforça. Raul feelings.
Outro dia fizemos na maison Abreu-Polzonoff um fondí com a minha garota Nacráudia e respectivo, com quilos de carne, vários molhos brancos que confundimos loucamente e chocolates e frutas e wafer e zás e zás e zás.
Vai daí que eu esqueci completamente que eu não tenho fígado, ou melhor, eu não tenho um fígado assim, digamos, funcional, e que portanto não posso comer muita fritura. E eis que completamente envolvida nessa gostosa bruma de esquecimento, me entupi de fondí. Que é, vejam vocês, nada mais nada menos que…carne frita.
(desculpem, sei que o fondí, visto dessa forma, fica muito menos tchã, e não queria ser eu a estragar essa imagem classuda que vocês fazem do fondí, mas era necessário para prosseguir com o relato)
Para completar a situação, fui gentilmente acompanhando a carne frita com taças gigantes de vinho. Sendo que na metade da primeira eu já estava…ãr…alegre.
Em um determinado momento como outro qualquer, pedi licença e fui pro banheiro da suíte master, porque não estava me sentindo muito bem. Uma meia hora depois, Paulo veio me procurar (vejam como eu faço falta na mesa!), e me deu um carinhoso sonrisal. Que, quando você está sentado em frente à privada, mirando azulejos e murmurando âaaaaaain, âaaaaain, é uma grande prova de amor.
Bebi.
Dois dias depois, senti um cutucão no ombro, era minha garota Nacráudia me acordando. Sim, eu ainda estava sentada no chão em frente à privada, onde confortavelmente DORMI.
[momento pollyanna] que bênção que é, num mundo de insônes, a pessoa que consegue dormir em qualquer circunstância e lugar, até mesmo sentada, não é mesmo minha gente? [momento pollyanna]
Depois disso, nada. mais. me. lembro.
Diz minha garota que, algum tempo depois, Paulo levou ela e marido no nosso quarto, pra me ver dormindo (!!!!!) com as gatas.
[Eu]: Mas que absurdo!
[Nacráudia]: Não se preocupa que a gente ficou na porta, só dava pra ver a sua bunda.

Ah tá. Então tá JÓIA.
Agora vocês se perguntam: e qual é a dúvida existencial? Ei-la:
FAZEMOS UM NOVO FONDÍ ESSE FINDE?
Se tem um plug-in que eu realmente gosto nesse blog é esse que mostra os posts do mesmo dia há alguns anos. Porque esse blog já é tão véio que tem coisas que nem eu mesma lembro de ter vivido/escrito.
Por exemplo, hoje o link é pra um post sobre o finado programa Ídolos, do SBT. Que eu, veja só, assistia, na minha outra encarnação quando eu ainda tinha tempo de assistir tevê e passar condicionador no cabelo.
E nada como reler um post em que sou chamada de tacanha nos comentários por ninguém menos que uma das concorrentes, que fez um rápido egosurfin’ no Google e me achou-eu-lá-no-meu-cantinho. O que entra, aliás, para os momêintos-imperdíveis-do-Epinion. Os demais comentários também são hilários (é por isso que eu amo vocês, meu povo!).
Esse flashback é só alegria na sua manhã de terça-feira!